Ônibus circular cobrando tarifa: agora, quem quer ver a USP como uma ilha?

Este texto foi escrito antes de ser anunciado que haveria o “Circular Cultural”, que faria o percurso no interior da Universidade gratuitamente. Entretanto, mantenho opinião contrária a existir ônibus que faça o trajeto USP-metrô cobrando de todos aqueles que não os professores, funcionários e estudantes. Os motivos estão basicamente expostos abaixo. Quem quiser discutir mais, peço que deixe um comentário.

A partir de novembro passado, uma grande mobilização se iniciou na Universidade de São Paulo (USP). Revoltados contra a presença da Polícia Militar (PM), estudantes começaram protestos visando uma série de medidas, entre elas, a saída da PM do campus concomitante à implantação de um plano de segurança próprio, a saída do reitor João Grandino Rodas e um novo estatuto que substitua a estrutura de poder arcaica da maior universidade do país. Resultado: ainda em greve, os estudantes mobilizados foram taxativamente classificados como “mimados”, “revolucionariozinhos”, “maconheiros” e “egoístas” que, só pensando no seu próprio umbigo, pretendiam transformar a USP em uma ilha com leis próprias.

Ônibus circular da USP: por conta do trajeto até a estação de metrô, as linhas passarão a ser pagas para a comunidade não-uspiana.

Hoje, por outro lado, foi anunciado por jornais da região que os ônibus circulares da USP – os quais realizam trajetos gratuitos pela universidade – passariam a cobrar, da comunidade não-uspiana, o valor do transporte público da cidade de São Paulo, isto é, R$ 3,00 pela tarifa, seguindo todas as regras dos meios de transporte paulistanos. O porquê da mudança: os circulares passariam a realizar um trajeto até a estação de metrô Butantã, inaugurada há alguns meses e localizada próxima à entrada principal da Universidade.

Assim que se discutira a inauguração dessa estação, surgiu a pauta do circular estender seu trajeto até ela. O que não se esperava é que a comunidade uspiana (professores, funcionários e estudantes) receberia um Bilhete Único da USP (BUSP), para não ter que arcar com custos, enquanto a população das redondezas teria que gastar abusivos três reais. É válido ressaltar que surgiu a reivindicação das estações de metrô serem dentro da universidade. O pedido foi negado pelo Conselho Universitário, sob a alegação de que transformaria a USP em um enorme estacionamento para as pessoas de fora. Curioso é que, ao invés de restringir o estacionamento, expulsou-se o metrô.

Muitos daqueles estudantes que criticavam seus colegas envolvidos nas manifestações pelas ofensas acima descritas, agora estão aplaudindo a mudança, considerada um “avanço” (só para lembrar que, há algumas décadas, o circular saía da USP; logo, está apenas voltando a ser o que era, com o adendo do custo). Defende-se a cobrança com o argumento de que a USP não tem obrigação de financiar transporte para a população, além de evitar que os circulares fiquem lotados de pessoas que não têm vínculo com a universidade. Pessoas que cortam caminho pela USP, que realizam cursos de Extensão, que frequentam o Hospital Universitário, que visitam os museus, terão que pagar pelo que historicamente é gratuito.

Estação de metrô Butantã, próxima à entrada principal da Universidade.

A mudança, longe de ser vista como um avanço, deve ser entendida como mais um retrocesso a caminho da elitização e higienização da universidade, pois dificulta ainda mais o acesso da comunidade não-uspiana, bem como da apropriação dos espaços da Universidade por aqueles que não a frequentam regularmente. É mais um ataque ao tripé manco da Extensão, eixo que deveria ser norteador do ensino superior público e gratuito.

A falta de informação e preconceito, entretanto, impedem a comunidade universitária, sobretudo os nossos dirigentes, de enxergar que a comunidade extra-uspiana passaria a ser cada vez mais excluída. Chega a ser contraditório com a política recente de trazer museus da cidade para um “Parque dos Museus” dentro do campus. Ainda, o medo de lotação do circular (o que poderia ser facilmente resolvido com mais linhas) cai por terra quando vemos que apenas 20% dos usuários do circular não possuem vínculo formal com a Universidade, segundo o último relatório, de 2007/2008.

Portanto, convido aqueles que nos criticavam por sermos “egoístas” a refletirem o seguinte: quem, de fato, está interessado em transformar a USP em uma ilha, em uma bolha de excelência? Quem tem medo da população dos arredores? Quem tem nojo de conviver com os moradores da vizinha Favela do São Remo? Abramos a USP e só assim poderemos entender o que significa a função social de uma universidade. Só assim entenderemos o que é e para que serve uma universidade.

15 comentários
  1. Rafael Teixeira disse:

    Aff, que texto mais ridículo.

    Os alunos não percebem como estão sendo incoerentes? Quando é para a polícia fiscalizar seus baseados e o tráfico dentro da USP querem tornar ela um local especial na sociedade, onde a polícia não pode entrar. Agora quando se trata de um serviço específico direcionado para os membros da instituição querem que faça parta da sociedade aberta.
    TOTAL INCOERÊNCIA.

    E ainda coloca como se os contraditórios fossem os críticos. Amigos a USP faz parte da sociedade, precisa ser policiada, mas os seus serviços são prestados apenas aos alunos, percebam a besteira que estão dizendo.

    Se você quer dividir o circular com uma multidão de aproveitadores que vão pegar carona nele na estação de metro e lota-lo, eu não quero.

    Você chama isso de egoísmo, eu chamo isso de meu direito, já que é um serviço direcionado a mim. Egoísmo é querer expulsar a polícia e reduzir a segurança de todos para fumar maconha em paz.

    • Poupe-me desses comentários, Rafael.

      Não é incoerência nenhuma. A mobilização contrária à PM é absolutamente legítima em um Estado que matou, em cinco anos, mais do que toda a polícia norte-americana. Vemos tantos casos de violência, abuso e repressão policial que eu estranho os setores da sociedade não se mobilizarem contra isso. Apoio a saída da PM porque acredito que há soluções melhores para a seguraça da USP.

      Desde quando os circulares são apenas os estudantes da USP? Em primeiro lugar, o serviço dele não é para atender a um setor específico, pois é um ônibus gratuito cuja função é circular dentro da universidade, não interessa se quem o utiliza são os estudantes, os alunos da Escola de Aplicação, as mães das crianças das creches, os visitantes dos museus, os usuários do HU, os funcionários da USP e os terceirizados, os turistas, os professores, os matriculados em cursos de extensão, os frequentadores do CEPE ou do campus etc. Se os circulares estão ficando lotados, a solução é muito simples e óbvia: aumentar a frota de ônibus e o tempo de circulação. Não se elitiza um serviço público para melhorá-lo: deve-se expandi-lo, aperfeiçoá-lo, democratizá-lo.

      Portanto, a sua visão exclusivista prova que, sim, você está agindo de forma egoísta.

      • Eduardo disse:

        Você que deveria repensar seus comentários, Adriano.

        A reitoria conseguiu, realmente, um grande avanço para a comunidade USP, ao permitir que alunos, estudantes e docentes da USP conseguissem gratuidade na passagem na linha que liga a estação Butantã com o campus. Em relação aos moradores de São Remo, eles poderão usar uma linha gratuita chamada “Circular Cultural” que circulará somente no campus a partir de abril. Até lá, as linhas circulares atuais ainda existirão.
        E concordo com o Rafael Teixeira. Nós, estudantes da USP, não estamos acima da lei. A PM pode e deve atuar na cidade universitária e combater quaisquer tipos de crime, inclusive tráfico e uso de drogas. Se você, Adriano, quer discutir a liberalização da drogas, por favor, faça-a respeitando a nossa constituição.
        O que você e seu grupo representa é uma grupo político que reprime as opiniões contrárias as suas, além de manipular e alienar grotescamente os alunos através de seus discursos demagogos e de textos panfletários visivelmente alteradas e parciais, tais como esse artigo.
        E devido a ocupações e atos de vandalismo que você e seu(s) grupo(s) fizeram e apoiaram no ano passado, nós e a universidade tivemos a imagem manchada perante a sociedade paulista, passando de uma comunidade que ajudava no progresso e desenvolvimento do estado a um bando de baderneiros que parasitam dinheiro público.
        Passar bem.

  2. Rafael Teixeira disse:

    No final do ano os revoltadinhos estavam dizendo que se a polícia quisesse entrar na USP tinha que fazer vestibular. Pois eu digo o mesmo, se quer pegar circular que faça vestibular.

    Eu pelo menos agradeço o grande avanço de não ter mais um grupo de maloqueiros no fundo do circular ouvindo funk no ultimo volume e atrapalhando os alunos que querem ler.

    A USP sempre foi excludente por sua própria natureza. Se querem uma faculdade que não seja, que montem sua própria faculdade, e não estraguem a nossa. Não adoram esses argumentos históricos, tradicionais “É tradição não entrar polícia”, “historicamente o circular ia para fora gratuitamente” (ignorando que a situação e o contexto histórico eram totalmente diferentes, como por exemplo, quando ele ia para fora não tinha um metro com uma população enorme para se aproveitar dele indevidamente), pois então eu digo que a USP é historicamente excludente e elitista. Acostumem-se!

    • Mais um comentário elitista? E nesse você foi fundo, hein?

      Eu não vou nem comentar a questão dos “maconheiros” porque acho um absurdo um argumento tão preconceituoso quanto esse vir de um estudante da USP que está lá, no dia a dia, vendo como as coisas são. Lamentável.

      Concordo que a USP sempre foi excludente. É justamente por isso que não faço apelo a argumentos da tradição. Não falei contra a PM porque “é tradição ela não entrar”, e sobre o “historicamente o circular ser gratuito” usei isto apenas para dizer que antes ele já ia para fora, de graça, e que não é avanço nenhum ele simplesmente voltar a fazer o que já fazia, agora cobrando.

      Se a USP é elitista, isso mostra a urgência de mudá-la. Nosso Estado nunca teve um democracia forte, consolidada; nossas escolas nunca foram laicas; nosso sistema de saúde nunca foi uma “maravilha” para toda a população. E aí? Ficaremos estancados na tradição? Não interesse se é algo tradicional ou não, interesse se está cumprindo os objetivos que são exigidos atualmente. Para uma nação de aspirações democráticas, todos os pontos que levantei (democracia, laicidade, saúde) devem ser melhorados. A USP inclusive.

  3. uirapas disse:

    Parabéns pelo artigo.
    Sem muito rodeios e direto ao ponto:

    “mais um ataque ao tripé manco da Extensão, eixo que deveria ser norteador do ensino superior público e gratuito.”

    valeu.

  4. Guilherme Bauer disse:

    Não entendo o que vc quer dizer com gratuito. O ônibus não foi de graça, nem o combustível e nem o motorista. Ou seja, ele é gratuito do ponto de vista de quem é privilegiado para andar de graça nele. Mas ele nunca foi gratuito, sempre houve alguém pagando por ele, a discussão é saber quem. E ele continuará gratuito para os alunos, mas alguém está pagando e não é o Estado, que não possui fonte de renda própria.

    Alguns alunos dizem que a USP (no butantã) é um espaço para esperiências urbanisticas e sociais etc…..60 anos e ainda não conseguiram uma experiencia social relevante? O lugar para experiência social é na realidade, na sociedade e não em um aquário.

    O Estado pode agir de forma a priorizar a equidade social? claro, esse é um de seus deveres constitucionais. “Os tributos, sempre que possível, devem ter caráter social e serem aplicados de acordo com a externalização de capacidade econômica”. Ou seja, deveria-se cobrar estacionamento na cidade universitária e reinvestir nos transportes alternativos. Agora, onibus gratuito só lá é uma artificialidade na cidade.

    As pessoas que vão ao Hospital da Clinicas ou obter auxílio na Faculdade de Direito não têm que usar o transporte da cidade? Assim todos deveriam fazer para chegar à usp.

    A bem da verdade, o cidadão que projetou o campus butantã e ainda colocou muros nele foi muito infeliz. O local é mal aproveitado, sem segurança, sem circulação, sem serviços e de difícil acesso. Resultado: local atraente para crimes, gastos com segurança exorbitantes, alguns alunos e ex-alunos se acham os donos, outros querem dominar politicamente a mini cidade para fazerem suas experiencias socias bizarras, é muita inocência mesmo.

    Na minha opnião, só há uma solução: derrubar os muros, vender e alugar terrenos para que quer empreender e morar por lá. Pronto, tudo integrado à cidade e com vários acessos, sem falar dos inúmeros serviços oferecidos e da possibilidade de se poder morar por lá com uma organização real, não no crusp. Mas e a São Remo? bem, isso é um problema normal na cidade, a paraisópolis é bem maior. Provavelmente a São Remo se valorizaria e seria um bairro normal tbm.

    Abraços a todos

    • Guilherme, vamos com calma. Eu entendo que o “gratuito” se refere aos seus usuários, e não ao Estado. Mas não vejo o problema disso. Sou favorável a um Estado que ofereça serviços gratuitos à população. Cursar uma faculdade de graça, obter um serviço gratuito de saúde ou coisa do gênero, não deve ser visto como um “privilégio”, como você falou. Penso o contrário: deveria ser visto como um demérito, um malefício, alguém ter que pagar para estudar ou ser obrigado a fechar convênio médico se quiser ser atendido.

      Não entendi a crítica de que a USP não deu experiências sociais relevantes. O que você está chamando de experiência social? O que seria relevante?

      Discordo de que ônibus gratuito na USP seja artificial. Quem está no interior da USP, está dentro de uma mesma instituição. É um espaço grande, difícil de se locomover de um ponto a outro. Não sei qual é o problema de existir um transporte interno. Para que uma pessoa passe de um ponto a outro dentro da mesma instituição. É como um sistema Intranet, que conecta as pessoas dentro de um mesmo espaço.

      Já para quem vai de um ponto a outro, a pessoa está fazendo uso de um transporte público da cidade e que, portanto, é pago (ainda que sejamos contra ou não). Na USP, não se trata de um transporte que leva a pessoa de um ponto a outro da cidade, e sim dos espaços de um campus. Há transportes que passam pela USP e os levam para outros lugares da cidade. Este são pagos como todos os outros. Mas os internos, não.

      Que a USP é mal planejada isso é consenso. Todos sabem que o campus é mal aproveitado, com imensos vazios, com prioridade para automóveis particulares. Isso não é novidade. Agora, temos que ver o que, dentro dessas condições, nos permitiria melhorar.

      Na atual conjuntura, não vejo muito a possibilidade de se derrubar os muros e vender lotes lá de dentro. Já visitei universidades estadunidenses (privadas, inclusive), que não tinham muros. A cidade se confundia com a universidade. Mas, nesses lugares era comum não haver muros em nada. Em São Paulo, é o contrário. Põe-se muro em tudo, e isso se reflete dentro da USP também.

  5. São muitas as variáveis que cercam esse tema, daria uma discussão bem extensa e interessante. Pra resumir, já que o conselho e o governo renegaram a estação dentro da USP, porque não criar um “Circular 3” até a estação? E poderia mesmo ser cobrado, pois seu usuário já teria de pagar sua passagem pro trajeto externo à cidade universitária, seja de metrô, trem ou ônibus. Como também o trajeto, já que seria um ônibus especial, poderia passar pela área de circulação restrita do Instituto Butantã, enquanto este estivesse aberto. Chegaria em bem menos tempo até o metrô no horário de pico, do que o trajeto comum pela portaria 1/Alvarenga/Sapetuba/Camargo/Terminal da Estação.

    Importante lembrar também que já foi criada e está em operação uma linha Estação Butantã-Cidade Universitária. Até onde sei, sempre lotada. Será que ela não atende bem a demanda de quem pega o metrô pra sair do câmpus?* Ou será que estão usando a imensa demanda Usp-Metrô pra justificar a cobrança pelos 2 circulares existentes e assim acelerar a gentrificação da Universidade Pública, do Câmpus e dos bairros do entorno, consolidando a expulsão da popuçação mais pobre pras periferias longínquas, que vigora em São Paulo desde os anos 1960?

    Como ex-uspiano, urbanista e mais ainda como cidadão brasileiro, não penso que seja boa uma cidade que exclua quem quer que seja, muito menos uma universidade; senão até este nome terão de mudar, porque a USP de fato nunca foi muito universal e acessível, nem São Paulo, nem o Brasil.

    *De fato seu trajeto é igual ao das linhas que vão até o HU, e demora muito dentro, tal qual muitas das linhas regulares existentes (pagas, da SPTrans) que já passam lá dentro.

    • Então, Marcos, recentemente a reitoria mandou um informativo alterando um tanto as informações. Não sei se já estava previsto assim, mas só surgiu depois que já havia sido anunciada nos jornais a cobrança do circular.

      Pelo visto, não haverá um circular pago. Os circulares da USP passarão a chamar “Circular Cultural” e continuarão fazendo o trajeto interno gratuito. Haverá um outro ônibus, laranjinha da SPTrans, que fará o trajeto até o metrô e será identificado com um “Este ônibus aceita Busp”.

      Já existe uma linha, como você mesmo disse, que vai até o metrô. Mas ela é paga, normal. Agora, será gratuita para quem é da comunidade USP.

      Eu continuo desaprovando a ideia, pelo seguinte: para mim, um “circular” ou o que quer que seja faça o caminho USP-metrô tem que atender a todos aqueles que na USP estão, seja por serem estudantes, funcionários ou professores, seja por frequentarem o CEPE, os museus, o HU etc. Para mim, não faz sentido algum criar uma diferenciação de modo que apenas a comunidade USP não pague, em um ônibus gerido pela própria SPTrans, o trajeto até o metrô.

      Pelo menos os circulares serão gratuitos para todos, mas desaprovo a ideia desse Busp.

  6. Esse comentário é um resposta ao comentário do Eduardo.

    Eduardo, não é avanço nenhum um circular gratuito para uma comunidade que já é beneficiado com bilhete único estudantil. Avanço, para mim, seria o circular fazer trajeto gratuito da USP para o metrô Butantã para todos os usuários, para todos aqueles que frequentam a USP, seja lá por qual motivo.

    E, meu caro, eu não sei quem aqui se referiu à legalização das drogas. Não discuti maconha em nenhum momento do meu texto. Sou a favor da legalização da maconha, mas de modo algum eu fecharia esse debate ao ambiente universitário. Vocês, que nos criticam por isso, que não são capazes de entender que a maconha não foi, não é e não será o ponto das reivindicações. Não se legaliza maconha apenas em um ambiente da cidade. A legalização é geral, logo, o debate é amplo.

    Ao se referir a mim, é bom você me conhecer um pouco mais. Não pertenço a nenhum grupo, absolutamente nenhum. Você nem sabe minha opinião sobre as ocupações da USP. Eu não represento senão a minha própria opinião. Tenha pelo menos respeito ao seu interlocutor.

    Sobre os “parasitas do dinheiro público”. Eu também não apoio os estudantes que ficam muitos anos na faculdade, apenas para fazer uso dos benefícios do sistema público. Mas estes são minoria, pode ter certeza. Acho engraçado criticarem esses estudantes – e a outros como eu, que não somos “parasitas”, embora tenhamos uma visão crítica da sociedade, da universidade e da reitoria – e fazerem vista grossa, por exemplo, à bonança das fundações privadas. Quer discutir destruição do patrimônio público? Então fique de olho no processo gradual de privatização da universidade. Destruir patrimônio público é privatizar o HU, é a USP hospedar uma incubadora de empresas que, em última análise, fazem uso da estrutura, nome e capital da universidade em vista do seu próprio lucro, é as fundações “de apoio” se apoiarem completamente na USP e retornarem porcentagens miseráveis do seu orçamento.

    Vai estudar esses casos para discutir o que está acabando com a USP. Enquanto isso, você se orgulha dessa imagem maquiada da “contribuição da USP à cidade”, da imagem perante os paulistas. Acorde, os paulistas nem sabem o que acontece na USP. Eles não sabem do reitor que temos, do estatuto arcaico, do processo de privatização. Isso, aliado à violência policial que temos visto na Cracolândia, Pinheirinho e também na USP é, sim, digno de preocupação, e não uma parede ou outra pichada na reitoria.

    Abraços!

  7. Daniela disse:

    Vocês estão esquecendo de um detalhe: para comprar drogas próximo à Universidade é necessário usar a carteirinha para a identificação, não é? Eu tenho amigos usuários que já me disseram isso, dando risada… É preciso o traficante ter certeza que está vendendo a droga para o estudante, e não para um polícial tentando impedir a comercialização de drogas na universidade… agora, pra utilizar o circular da universidade qualquer um pode… realmente, esses vermelhos são uma piada!!!!

    • Daniela, jura que você está querendo apelar desse jeito?

      Você está escrevendo como se, para ser crítico à gestão do Rodas, precisamos necessariamente comprar drogas. Eu sei lá onde tem ou vende droga naquela universidade. Droga é vendida em todo lugar. Escola de educação básica, delegacia de polícia, casas noturnas. Fala-se da USP como se ela devesse ser pura. Ela está na cidade e reflete problemas da cidade. Agora, não preciso comprar drogas lá, e nem ser “vermelho”, para me opor a um projeto como esse de ônibus com Busp.

      Não vamos comparar uma questão ilegal com o transporte no interior da universidade. Ainda acho que, sim, é circular é para qualquer um, e não só para “quem é da USP”. Afinal, quem é da USP? Só quem tem vínculo formal? Mas eu pensei, justamente, que a Universidade fosse mais ampla que uma empresa, e tinha finalidades maiores, projetos maiores e atendesse a parcelas maiores da população nos seus mais variados serviços.

      Já a droga, deixa-a de fora se quiser um debate sério.

  8. Alexandre Nascimento E Silva disse:

    Adriano,

    com o foco no transporte dentro da Cidade Universitária sou partidário à cobrança de estacionamento em todo o campus, conforme o zoneamento azul feito pela PMSP, visto que circulam milhares de veículos lá dentro e com o valor arrecadado, a PCO reinvestiria na estrutura de transporte circular no campus nos moldes do sistema atual e em melhorias na estrutura viária e de segurança interna do campus. A Guarda Universitária neste caso, poderia ter uma divisão específica para a fiscalização e autuação em conjunto com a CET, o que pensa a respeito?

    Um abraço,
    Alexandre Silva
    Geógrafo/DG/FFLCH – USP

    • Oi Alexandre,

      Eu não sei qual seria o motivo de se cobrar estacionamento. Não gosto disso. Lucram demais em cima de algo que as pessoas são obrigadas a fazer, até porque o transporte público na cidade não é tão bom assim para que muito mais gente pudesse dispensar os carros. Mas, sei lá, nunca pensei muito a respeito.

      Um abraço!

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