Insistentemente de esquerda

Talvez isso não diga muita coisa, mas se me perguntarem, responderia: sou de esquerda. E completo que não é fácil ser de esquerda. A gente insiste, vai fundo mesmo. Tem vezes é uma tarefa cansativa, trabalhosa. E nem sei se as recompensas valem.

Para tudo o que acontece (um assalto, uma greve, uma ofensa…), somos levados a pensar o que comumente se pensa na sociedade. E o que se pensa é de um conformismo sem tamanho. Há estímulos, por todos os lados, para se pensar de acordo com uma lógica, digamos, medíocre. Chega a ser uma tradição de pensamento, quase uma escola, e a despolitização torna-se um orgulho.

Mas, aqueles que se aventuram no pensamento “de esquerda”, não aceitam coadunar com essa lógica. Ainda que não tenhamos respostas para tudo, que tragamos muitas dúvidas e incertezas, vamos pelo caminho arriscado – e muitas vezes solitário – de pensar de forma alternativa, de esperar um pouco mais para dar opinião, de olhar para outros pontos e ouvir outras vozes.

Participando de uma assembleia estudantil: quando a Política torna-se tão ampla que te engloba em todos os aspectos.

Não nasci assim. Nem fui levado a ser assim por uma ou outra pessoa. Tive influências, óbvio, mas isso tudo foi uma etapa de construção, quase um coming out político. E insisto. Não há outra palavra melhor que insistência, porque eu quero ser de esquerda. Eu teimo. Posso não ter argumentos, mas vou continuar teimando até encontrar uma justificativa.

E o mais engraçado é que, politicamente, a esquerda é absolutamente diversa. É uma palavra tão flutuante quando “liberdade” que, segundo dizem, é aquilo que ninguém sabe explicar, mas que todos entendem. Não existe um guia ou uma escola de como ser de esquerda. Existem referências, a partir das quais nos orientamos.

Além disso, o resto é tentativa-e-erro. Não se trata apenas de ter ideais. Há aqueles que nos acusam de sermos idealistas. Isso é uma bobagem! Ideais são como valores: todos têm, não importa para que estão voltados. Os “não idealistas” assumem uma ideologia, porque mesmo a omissão é uma escolha. Não existem pessoas “neutras”, “imparciais” ou, pasmem, “apolíticas”. Sempre se tem um posicionamento e, querendo ou não, esse é sempre político.

Apesar disso, eu nem tentaria, aqui, definir o que é ser de esquerda. Prefiro assumir a polissemia da palavra e incorporar uma identidade que pouco nos identifica. Para quem quiser saber mais do meu esquerdismo, basta falar comigo ou ler as coisas que escrevo nesse blog. Ali, sim, você encontrará opiniões, argumentos e defesas.

Por ora, quero apenas dizer: sou de esquerda. Insistentemente de esquerda.

2 comentários
  1. Então, somos dois. Apesar de ainda estar em um longo processo de maturação intelectual, eu também me considero de esquerda. Todo esse conformismo me incomoda profundamente.

    No mais, achei bacana esse texto. Lembrei dos tempos do blog Letras despidas, quando você e a Bia escreviam bastante textos relacionados ao engajamento e tomada de consciência política no melhor estilo sartriano e brechtiano.

    Um grande abraço e vamos a luta.

    • Risos!

      É, eu aposentei um pouco os meus textos do engajamento. Aliás, a minha veia sartriana quase nem pulsa mais, e faz muito tempo que não leio um Brecht. Enfim, preciso retomá-los. Por coincidência, hoje vou encontrar um amigo que vai me devolver “O Existencialismo é um Humanismo”, o que livro que virou o meu guia espiritual por um tempo, rs.

      Eu também estou em um longo processo de maturação intelectual, aprendendo muitas coisas novas. Mas, independente do que eu aprenda, será sempre algo de esquerda. E o que aconteceu comigo dos últimos, sei lá, cinco anos para cá, foi um processo intenso de “esquerdização”, então tô tranquilo, rs.

      Abraços, Inã!

      Adriano

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