A verdade da economia política atual é um ciberpornô

Claramente, a pornografia é hoje um dos grandes motores da economia informática, são mais de um milhão e meio de sites adultos acessíveis de qualquer lugar do planeta, aumentando cera de 350 novos portais a cada dia.

Você confirma que é maior de 18 anos? E quem não é? A não ser que sua consciência (na ordem do discurso “não veja pornô”) te impeça de ver, já que naquele saintly site (?) tem “material de sexo explícito”, “cenas pornográficas”, “conteúdo adulto”, oh my …; enfim, você tem mais de 18 anos? não importa, basta clicar em “sim”, pronto, você entrou, congralutions! Últimos vídeos, vídeos mais vistos, categorias, webcams, notícias do mundo pornô, HD (você pode pagar?), uma miríade de opções já na página inicial, você é mais específico? Vá em categorias, darling. Straight, gay, flagras, orgy, ass, masturbação, bondage, amateur, etc. e etc. Milhões de vídeos só pra você, sozinho, de frente para o computador, excitable, você pode escolher esse, aquele, aquele outro, alguns sites não permitem tantos carregamentos ou tem impede de ver a partir de já ter assistido a tantos minutos. Excitar e controlar, tem muitas janelas de vídeos abertas, imagens em outras, o negócio em questão parece ser “retardar o prazer”, se tenta aproveitar ao máximo os efeitos dessa espécie de droga virtual que entra pelas olhos, excitação-frustração, se coloca em ação a mão masturbatória e em algum momento la película sai por baixo da cintura.

,A filósofa queer Beatriz Preciado em Testo Yonqui (2008), hoje, a indústria pornográfica, com seus mais de um milhão e meio de “sites adultos”, é o grande motor impulsor da economia informática, responsável por boa parte dos dezesseis mil milhões de dólares anuais gerados pela indústria do sexo, além disso, a cada dia, cerca de 350 novos portais pornôs são criados, contando com números de usuários exponencialmente crescente. Segundo a autora, descendentes e alguns sobre o domínio da Playboy, Hotvideo, Dorcel, Hustler, entre outras, a ciberpornografia provocou uma ruptura no monopólio que estava detido por essas multinacionais, fazendo com que estas se aliassem progressivamente a companhias publicitárias para proporcionarem a seus cibervisitantes um acesso gratuito a suas páginas. Ao lado disso, outra ruptura inquestionável está em Jennifer Kaye Ringley e seu Jenni Cams, uma espécie de portal live webcams na Internet que transmite a quem pague entre dez a vinte euros mensais, como um canal televisivo da TV paga, sua vida cotidiana, incluindo a sexual, filmadas por várias webcams.

Os portais de venda da Internet, segundo Preciado, usam a mesma lógica masturbatória dos sites pornôs, eles proporcionam, sobretudo, a satisfação imediata do consumidor na e através da simples visita ao portal.

Nesse sentido, como nos sugere Preciado (2008) sobre a ciberpornografia, um usuário da Internet que queira ingressar na indústria do sexo, basta possuir um corpo, um computador, um objeto de filmagem e uma conta bancária, possuindo isto, o usuário pode criar a sua própria página pornô — esta é a nova força da economia mundial. Mais do que isso, como nos esclarece a autora, a ciberpornografia é o modelo de rentabilidade máxima do mercado cibernético, que tenta proporcionar ao consumidor uma venda direta do produto e em tempo real, com investimento mínimo, com satisfação imediata do consumidor no e através do portal, de forma que todo e qualquer outro portal da Internet se baseia nessa mesma lógica, a lógica masturbatória do consumo pornográfico.

Ainda, a consideração da indústria farmacêutica e pornográfica como indústrias líderes do capitalismo pós-fordista leva Preciado (2008, pp. 36 – 37, tradução nossa) acrescentar a suas conclusões que “as verdadeiras matérias primas do processo produtivo atual são a excitação, a ereção, a ejaculação, o prazer e o sentimento de autocomplacência e de controle onipresente”, de maneira que o controle farmacopornográfico da subjetividade é o verdadeiro motor do capitalismo atual e cujo produtos são, por exemplo, a serotonina, a testosterona, o álcool, o tabaco, a morfina, a cocaína, o estradiol, o Viagra, enfim, todo o conjunto de produtos material-virtual que “podem ajudar a produção de estados mentais e psicossomáticos de excitação, relaxamento e descarga, de onipotência e de controle total”. Esto es lo farmacopornismo [1] (!), segundo a autora, o período em que a economia é dominada pela indústria da pílula, pela lógica masturbatória e pela cadeia de excitação-frustação em que esta se baseia, o período em que a farmacopornografia define a economia política mundial, infiltrando e dominando qualquer outra forma de produção e, além disso, no âmbito desse período, a indústria farmacopornográfica sintetiza e define um modelo especifico de produção e consumo, como o fordismo, uma temporalização, não taylorizante, mas masturbatória da vida.


[1] Para a elaboração dessa denominação, a autora se baseia na fato de que o fordismo define e sintetiza um modo específico de produção e de consumo, uma temporalização taylorizante da vida, entre tantos outros aspectos que aparecem nas redefinições da era farmacopornográfica. Assim, se a o fordismo foi a era dominada pela economia do automóvel, argumenta Preciado (2008), essa nova economia pós-fordista e farmacorpornográfica, será chamada de farmacopornismo. 


1 comentário
  1. Munhoz disse:

    Ótimo artigo, acredito que uma grande “sacada” do capitalismo é a própria “capitalização” do corpo e do prazer. Claro que isso tem uma influência direta nos mecanismos de controle dos indivíduos para uma resignação frente ao caos social e a derrocada dos “sentimentos” humanos. Deixamos de sentir e passamos apenas a ter sensações experimentadas. A busca pelo prazer imediato na internet é tão grande que meu blog sobre história e filosofia recebe inúmeras visitas “enganadas” pela busca da palavra “safados” (pois ele se chama “Tempos Safados”, rsrs); não foi tentativa enganosa de marketing quando dei esse nome – até porque os que chegam até ele com essa busca devem me odiar, rs.

    Abraços,
    Munhoz.

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