Uma noite de maio na Abril

Bem divulgado nos meios virtuais, o debate Gênero e Mudanças Climáticas, organizado pelas ONG Population Action International e #ChangeMob teria três sessões: uma em Brasília, com participação de nossos representantes, uma em São Paulo e a última, que está para acontecer no Rio de Janeiro, na onda dos preparativos para a Rio+20.

Por estar, de certa forma, inserido em algumas redes de contatos, sempre recebemos uma divulgação ou recomendação daqui ou dacolá. No caso, levemente cooptado pela blogueira e feminista Marília Moschkovich a “curtir” a página do evento no Facebook, passei a conhecer a proposta (bastante inusitada, por sinal) desse debate e resolvi me inscrever. Inscrevi-me, no entanto, não só para ser ouvinte, como também para ser “blogueiro colaborador”, o que significa que nos próximos dias um texto sobre esse assunto pipocará nesta página.

Cartaz do evento “Gênero e Mudanças Climáticas”. Foto: Divulgação.

Assim sendo, no dia do evento, parti para a minha rotina na USP, onde tive aula no almoço, reunião de tarde e vôlei na janta. Tive que abandonar o primeiro set antes do fim para chegar a tempo no evento, previsto para começar às 19:30. E, agora para mudar o tom do texto, onde o debate aconteceria? No prédio da Editora Abril!

Sim, aquele imponente prédio, localizado na Marginal Pinheiros, bastante próximo da Cidade Universitária, da Avenida Rebouças e do Shopping Eldorado. Eu, que desde pequeno conhecia bem o símbolo da árvore verde, presente em algumas revistas que circulavam em casa, bem como nas fitas cassetes dos desenhos da Disney, nunca havia entrada lá. Um edifício localizado relativamente próximo da minha casa, mas perto do qual nunca havia me aproximado tanto.

Ao sair da estação de metrô Pinheiros, olhei para os lados para tomar algum ponto como referência, a fim de guiar minha caminhada à editora. Tarefa inútil! A primeira coisa que vi foi o prédio de numerosos andares, iluminado de cabo a rabo, esperando que eu contornasse alguns pavimentos em reforma para o seu encontro. E confesso que não podia esconder minha ansiedade.

Sede da Editora Abril, localizada na Marginal Pinheiros, São Paulo (SP): um dos prédios de arquitetura mais interessante da cidade.

Não estou descrevendo essa situação para endeusar a editora; muito pelo contrário. Foi uma sensação estranha adentrar no hall daquele prédio, dar de cara com uma estátua do Victor Civita, sob umas palavras que idealmente exprimem o caráter da Abril, e um cartaz que exibe todas as revistas editadas pela dita cuja: Superinteressante, Capricho, Claudia, 4 Rodas, Bravo!, Mundo Estranho, Revista MTV, Women’s Health, Nova Escola, Guia do Estudante… sem falar em uma das maiores vozes da direita editorial (assumidamente de direita, diga-se de passagem): a revista Veja.

Pisei no chão de uma editora que é justamente uma das maiores oligarquias dos meios de comunicação. Uma gigante desse ramo, representante dos setores empresariais e que vende metade das suas páginas para a publicidade seja lá do quê, além de (re)produtora de teses que com tanta frequência discordo.

Posso dizer que a experiência foi masoquista. E, por isso, altamente prazerosa.

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