28 de junho: Dia Mundial do Orgulho LGBT

A data “28 junho” refere-se a uma manifestação ocorrida na cidade de Nova Iorque, em um bar frequentado por gays, lésbicas, travestis e outrxs chamado Stonewall, onde constantemente ocorriam batidas policiais. Na noite de 28 de junho de 1969, os frequentadores e as frequentadoras se revoltaram com a polícia, em um confronto que durou cerca de três dias. A manifestação extrapolou os limites do estabelecimento, atingindo as ruas vizinhas. Um ano depois, milhares de pessoas marcharam na cidade em memória da tal “rebelião”. É comum, portanto, ouvirmos que esse evento é um marco na luta por direitos LGBT, uma vez que foi a partir dele que começaram as famosas Paradas do Orgulho.

Stonewall é aqui e agora.

Entretanto, mais de quarenta anos depois, os preconceitos relativos à homossexualidade e às expressões de gênero que desafiam binarismos ainda são muito presentes, em vários países, como é o caso do Brasil. Ainda há uma série de motivos que impedem que pessoas que não se adéquam às normas sociais que regulam a sexualidade e o gênero saiam às ruas para manifestar e exigir direitos. Alguns deles podem ser facilmente aqui listados:  No Brasil, milhares de pessoas LGBT morrem assassinadas simplesmente pelo fato de não se enquadrarem aos rígidos padrões que são impostos para designar o que é “normal” ou não. Ainda não é possível, para casais homossexuais, a adoção de filhos/as. Projetos de leis a favor da “cura da homossexualidade” são, em pleno século XXI, formulados no Brasil. Dois homens ou duas mulheres não podem demonstrar afeto publicamente sem passar por algum tipo de humilhação e/ou violência simbólica (quando a violência não é física). A mídia, o mercado, as escolas e o poder público veiculam, frequentemente, estereótipos preconceituosos e infelizes sobre lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

A Parada do Orgulho é um momento de visibilidade positiva e luta por direitos que promovam a equidade de gênero e acabem com o terrorismo sexual.

Por esses e outros motivos que ainda saímos às ruas, nas chamadas Paradas do Orgulho, buscando visibilidade positiva e afirmação política em um mundo ainda marcado por terrorismos de gênero e de sexualidade. Mas é necessário que esse movimento extrapole apenas um dia do ano. Stonewall, portanto, é aqui e agora. E diz respeito às lutas cotidianas por uma sociedade mais justa e igualitária, que se engaje contra todos os preconceitos direcionados àqueles e àquelas cujas experiências escapam às normas da heterossexualidade compulsória.

[Texto retirado e adaptado da página on-line do Ser-Tão (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade da UFG)]

4 comentários
  1. Oi Matheus,

    Bacana esse texto. Simples, mas na medida.

    Não sei se te falei, mas eu estive no Stonewall uma vez, no ano passado. É claro que tirei foto, porque o bar é histórico. A fachada dele era de tijolos (“stonewall!”) com muitas bandeiras de arco-íris. O bar tem dois andares. No segundo, tem um palquinho para performances. Tinha uns tipos bem “da night” lá dentro, mas não sei se foi o dia em que eu fui (uma quinta-feira de noite), estava meio vazio e bastante sem graça. Valeu pela experiência de conhecer esse bar.

    Abraços!

    • Adriano,

      Que legal! Imagino que a experiência de entrar no bar já é, por si só, incrível. O Camilo esteve em San Francisco mês passado e contou como foi entrar na antiga loja do Harvey Milk lá no Castro… quando eu tiver a oportunidade, quero entrar no Stonewall sim – e fazer performances nesse segundo andar, porque né?

      Abraço!

  2. Bacana o conteúdo. Bem informativo e não deixou esse dia tão importante passar batido no blog.

    Valeu!

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