Como dizem por aí: “Recordar [também] é viver”

Conforme o Adriano disse no seu último post, faço aqui minha retrospectiva do que mais importante foi publicado por mim nesse um ano de existência do blog.

OUTUBRO/2011: Feminismo: uma luta entre identidades, foi meu primeiro texto para o Ensaios de Gênero, seguido de Repetição e imanência: o lugar de encerramento da mulher. Textos bem acessados, onde, no primeiro se pretendeu fazer uma análise da questão da identidade para o movimento feminista e o poder-saber em Foucault e no segundo, a apresentação do ciclo de imanência e repetição em Beauvoir, espaço público e privado. Nesse mês, começo a discorrer o pensamento da filósofa queer e seu pensamento ultra-instigante, com “Natureza”: o dispositivo da normatização da heterossexualidadeContra-sexualidade: começando a pensar sobre esse conceito, onde se abordou a natureza como um dispositivo que normatiza a heterossexualidade e a desloca do campo de poder e , no qual se iniciou uma série de textos sobre a contra-sexualidade, conceito da autora, inclusive a apresentação dos 13 artigos que compõe o que ela denomina de Contrato contra-sexual.

NOVEMBRO/2011: Nesse mês se iniciaram de fato a série discorrendo o pensamento contra-sexual de Beatriz Preciado, sendo o texto O Artigo 7 da sociedade contra-sexual o mais acessado e que ainda continua com um número considerável de acessos até hoje. O texto em questão faz uma crítica às cirurgias de re-designação sexual, desde uma perspectiva queer, e propõe uma política radical nesse âmbito.

DEZEMBRO/2011: Em dezembro/2011 termino a série de textos sobre a contra-sexualidade e analiso alguns textos “literários”: o primeiro que parte de uma discussão entre a escritora e feminista inglesa Virginia Woolf e Desmond MacCarthy sobre a inferioridade intelectual da mulher e o segunda contemplando o conto Eufrásia Meneses do escritor brasileiro Ronaldo Correia de Brito. Destaco Algumas considerações sobre os usos de “@” e “x” para desfazer marcas de gênero, texto em que questionei a tendência atual ao uso de letras/símbolos em palavras que marcam a diferença de gênero, para justamente desfazer essa diferenciação.

JANEIRO/2012: Nesse mês, tentei apresentar e criticar alguns pontos do feminismo de Simone de Beauvoir e Monique Wittig, desde a perspectiva queer, pós-estruturalista, que encontramos em Judith Butler. “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”: a frase, falha? foi um texto bastante acessado nesse mês e, eventualmente, ainda continua recebendo bastante acessos.

FEVEREIRO/2012: Meus textos foram claramente marcados por leituras do pensamento pós-estruturalista de Judith Butler, criticando-se a essência da identidade através de sua análise da “metafísica da substância” e a gramática do “ser” – ser de um gênero, ser de um sexo, ser de uma identidade sexual. Um texto marcante foi O sujeito e o gênero socialmente construído: existe um “eu/nós” ante, um “eu/nós” depois, um “eu/nós” que constrói?

MARÇO/2012: Iniciei o mês com o texto PDC 234/2011: por uma política da normatização, criticando a proposta do deputado João Campos sobre a reorientação sexual em âmbito psicológico. Mas, o mês ainda foi marcado pela série de textos “Tornando-se o nosso gênero…”, textos que seguiam o pensamento de Simone de Beauvoir, apresentando a constituição da masculinidade e feminilidade na infância.

ABRIL/2012: Nesse mês, problematizei o pensamento de Beauvoir apresentado na última série, no texto Tornando-se o nosso gênero: problematizando a “experiência” e iniciei o entendimento à era farmacopornográfica descrita por Beatriz Preciado. Assim, um texto marcante nesse mês foi Sexo e sexualidade: o centro de atividade política e econômica dos negócios do novo milênio, texto em que se apresenta o sexo e a sexualidade como matérias de um novo tipo de capitalismo.

MAIO/2012: Publico Banheiros, próteses de gênero: uma análise para além da sujeira, texto baseado no artigo “Basura y Gênero: Mear/Cagar. Masculino/Feminino”, de Beatriz Preciado, pelo qual entendemos os banheiros como verdadeiras próteses de gêneros, cabines de re-afirmação do gênero que somos. Contou-se ainda com a publicação de três textos que contemplam a análise de um trabalho da escritora Clarice Lispector enquanto estudante de Direito e que nos traz o dilema mulher e mercado de trabalho.

JUNHO/2012: Nesse mês, continuei a série de textos sobre o regime farmacopornográfico, com nenhum texto em destaque, mas não posso deixar de destacar A verdade da economia política atual é um ciberpornô.

JULHO/2012: Mês em que debati a fundo a PDC 234/2011, a começar pelo texto Audiência pública sobre a PDC 234/2011: um momento de retomar nossas problematizações e também retomei problematizações pós-estruturalista; destaca-se o texto O sujeito do feminismo e seu problema contingente.

AGOSTO/2012: Criação de uma nova categoria no blog, “Desconstrução”, onde se dedica textos com abordagens pós-estruturalistas. Não posso deixar de destacar, embora pouco lido, meu Pedagogia e celebração da identidade e diferença: alguns pontos críticos.

SETEMBRO/2012: Mês em que menos publique textos, na verdade, apenas dois, mas não posso deixá-los de lado: Sexo e biopoder: sobre as identidades sexuais com invenções, texto em que analisei as identidades sexuais como dispositivos de poder no âmbito do biopoder e Sobre os rostos que a mídia nos oferece: uma questão entre humanização e representação, texto longo em que, a partir da leitura de Judith Butler, problematizei os rostos que a mídia mostram, como ela nos mostram e os rostos que deixam de ser mostrado, ações que dizem respeito com a humanização e desumanização do rosto exibido.

Por fim, gostaria de agradecer a todos que de diversas formas tem contribuído para o nosso crescimento com comentários, críticas, sugestões de leitura etc. Aos meus companheiros também, pessoas tão caras, que tem nos apresentado ótimos textos com visões políticas admiráveis.

3 comentários
  1. O blog tem um conteúdo enorme, pelo tipo de artigo que vocês se propõem a escrever. Além disso seus temas foram diversificando cada vez mais ao longo do tempo.

    Enquanto no primeiro e segundo mês o Lucas fechou mais nessa questão do biopoder com o tempo o manancial teórico foi ficando cada vez mais amplo por parte de todos os autores. A chegada do Matheus França melhorou ainda mais a dinâmica do blog em termos de produção e análise.

    Sinto um pouco de falta de temáticas mais relacionadas ao âmbito da política e democracia, apesar de que vez ou outro elas aparecerem por aqui.

    No mais, o Ensaios de Gênero anda muito bem, entrando na lista dos meus blogs favoritos.

    Abraços.

    • Oi Inã,

      Obrigado pelo seu comentário. Seus “feedbacks” (odeio essa expressão, rs) são importantes para a gente.

      É, o blog tem um recorte mais específico que o meu anterior, muito embora tenha um leque relativamente ampliado de assuntos. Infelizmente, Inã, creio que ainda vou ficar devendo mais textos sobre política e democracia. É provável que as discussões nesse sentido, da minha parte, venham pelo viés da educação e das políticas educacionais.

      Espero que possa te interessar e ser útil,

      Abraços!

  2. Está certo.

    O bom é que a maioria das temáticas abordadas por você e pelos dois rapazes, ainda são novidades pra mim, inclusive no curso.

    Até mais!

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