O que significa estudar em uma universidade australiana?

Estou há aproximadamente um mês na Austrália. Talvez seja cedo para refletir sobre meu estágio na University of Sydney, mas creio que algumas reflexões e observações podem ser extraídas desse período. Por conta de uma mania de brasileiro, tende-se a tratar a educação no exterior como muito superior à nossa, sobretudo em nível universitário. Isso é uma bobagem. Mas para fazer um debate sério, é importante analisar com mais profundidade o que significa estudar no exterior ou, no meu caso, na Austrália.

The Quadrangle, o prédio mais antigo da University of Sydney.

The Quadrangle, o prédio mais antigo da University of Sydney.

Saí da Universidade de São Paulo (USP) para cair na University of Sydney (UniSyd). Pode não parecer, mas existem muitas semelhanças entre elas. Ambas são públicas e ostentam inúmeros títulos superlativos: as maiores, as mais antigas e as mais ricas. A UniSyd congrega aproximadamente 50 mil estudantes e foi fundada em 1850, nos moldes das universidades britânicas como Oxford ou Cambridge. O primeiro edifício a ser erguido nesta universidade é o The Quadrangle, o qual remete, não só na sua arquitetura, ao período colonial.

Apesar de todas as características que colocam a UniSyd como uma universidade de ponta – a sua invejável infraestrutura, sua excelência na pesquisa, a qualidade do ensino e até sua reputação – não se pode perder de vista que essa universidade, assim como toda a Educação australiana, tem sofrido com inúmeras reformas neoliberais que foram iniciadas no país pelo Partido Trabalhista (Australian Labor Party) na década de 1980, com uma força superior às mudanças que vemos no cenário educacional brasileiro.

Explico: o pagamento de taxas de matrícula e mensalidades, que inexistiam num passado próximo, foi reintroduzido e pouco a pouco as universidades foram sendo, lato senso, privatizadas. O investimento federal no ensino superior caiu de 90% para 50% nas últimas décadas. E um sistema universitário nacional, que até os anos 70 era uniforme em qualidade e recursos, passou a ser declaradamente desigual, quando foi cristalizado o chamado Group of Eight – uma espécie de bloco das oito universidades mais importantes que, juntas, formaram um lobby para captar maiores benefícios das reformas neoliberais.

Prédio da Faculty of Education and Social Work.

Prédio da Faculty of Education and Social Work.

O ensino superior, em especial no tocante aos estudantes internacionais, tornou-se um intenso business e as universidades se transformaram em verdadeiras profit-making companies. Os custos variam entre os diferentes cursos, mas só para se ter uma ideia: na minha faculdade, Faculty of Education and Social Work, custa entre cinco a seis vezes mais para um estudante internacional se comparada a um australiano. Em termos numéricos, o custo é de mais ou menos AU$ 30 mil por ano (equivalente a mais de R$ 60 mil).

[Antes que pensem que sou rico, é bom esclarecer! Sabendo disso, minha orientadora me incluiu como um visiting scholar (pesquisador visitante), para evitar as taxas. Em outras palavras, não sou um estudante regular da UniSyd. Além disso, consegui uma bolsa que arca com praticamente todos os curtos da viagem. Ufa!]

Quando compareci às boas vindas da universidade aos estudantes estrangeiros, percebi em que pé está esse negócio. O número de alunos vindo de diferentes regiões do globo é irrisório. A grande maioria, diria que aproximadamente uns 80% a 90%, é da China. Há, de fato, acordos entre o governo chinês e os administradores das universidades, o que resulta inclusive em disciplinas ministradas em chinês. É bem possível que um sistema de ensino superior saturado, em um país com a maior população mundial, tenha encontrado vazão em países como a Austrália.

Garota estudando nos arcos do The Quadrangle.

Garota estudando nos arcos do The Quadrangle.

A despeito disso, é válido ressaltar que, no passado, as universidades australianas ofereciam cursos gratuitamente para estudantes asiáticos, como forma de colaborar no desenvolvimento da região. De um curso gratuito passar a faturar AU$ 30 mil ao ano por estudante, torna-se patente quais são os parâmetros que balizam o ensino em nível universitário na Austrália.

Estudar uma universidade pública como essa, na Austrália, não é muito diferente, em termos de acesso, a estudar em uma USP: nos dois casos tem-se um ensino elitizado, cujo marketing reside na venda de um privilégio (CONNELL, 2013). Talvez o grande diferencial seja que a renda per capita australiana permita com que estudantes da extensa classe média sejam capazes de bancar seus estudos nesse sistema educacional altamente lucrativo.

Não há nada de mágico – com exceção da infra-estrutura e dos recursos humanos disponíveis para a realização de um bom trabalho, que são realmente impressionantes (refiro-me às bibliotecas, às tecnologias, à verba, ao acesso a periódicos, ao apoio à pesquisa) – em estudar em uma universidade australiana. A experiência universitária está para ser construída por cada estudante, a partir de suas escolhas, contatos, leituras etc.

Brennan MacCallum Building (só coloquei esta foto aqui por acho esse prédio lindo!)

Brennan MacCallum Building (só coloquei esta foto aqui por acho esse prédio lindo!)

As nossas ideias, os nossos docentes, as nossas produções, os nossos estudantes, não deixam em nada a desejar ao modelo de first world que tanto gostamos de venerar. E as disputas políticas em torno da Educação continuam as mesmas, com a diferença de que, em termos de princípios, nós ainda estamos melhor, porque ainda não deixamos as políticas neoliberais inundarem nossas universidades (pelo menos por ora não!).

Há outras diferenças que eu pretendo explorar em outros textos. Só escrevi este para deixar claro que não vou voltar para o Brasil como se eu estivesse vindo de um mundo à parte, e por sua vez superior. É possível extrair o máximo daqui e o máximo daí, sem deixar de valorizar e saber ponderar os dois lugares. Aguardo ansiosamente pelo que me espera nos próximos cinco meses!

3 comentários
  1. Ivo Cocco disse:

    Arrisco-me a comentar o sistema de ensino universitário mundial, pois não frequentei nenhum curso no exterior.
    No entanto, a partir de várias informações e opiniões, como esta do Adriano, que me pareceu equilibrada, posso tecer algumas considerações.
    Na realidade, o neoliberalismo veio a galope da globalização, unha e dedo, enquanto o socialismo e o comunismo fizeram água, não só pela sistemática e forte propaganda ocidental, mas também pela inconsistência dos regimes chinês e soviético, este último entregando de bandeja os esforços de 70 anos de transformação econômica e social duramente conseguidos, mais em função da corrida tecnológica e menos na conquista de melhorias para a população, de modo geral.
    Para nós, brasileiros, que só sabíamos aquilo que era filtrado e permitido por americanos e europeus, não havia muito a fazer, a não ser questionar o porque de tantas limitações quanto a emprego e salários, direitos, educação e saúde, com perdas acumuladas e creditadas aos regimes políticos impostos no país.
    Nem vou entrar em maiores detalhes, pelo espaço aqui disponível, mas esse neoliberalismo, aliado à globalização, chegou aos dois blocos que sustentavam a resistência do terceiro mundo ás transformações econômico-financeiras que viriam a ser implantadas em todo o mundo, atualmente admitidas não só pelo bloco euro-soviético, mas pela China, que soube aproveitar a forte maré ocasionada pelo deslocamento cambial/especulativo.
    A chamada esquerda do resto do mundo, na verdade, foi engolida facilmente, porque sempre se preocupou em debater o sistema social e político, sem conseguir tomar o poder, pelas razões já sabidas de repressão e perseguição e devidamente limitadas por esquemas seculares de domínio do capital, sucumbindo após as manobras de dissolução da União Soviética, implodida pelos seus próprios dirigentes.
    Assim, como não vivi em nenhum desses países do bloco oposto ao ocidentalismo, não pude aquilatar a verdadeira situação dos povos envolvidos, e com relação ao sistema de ensino superior dos mesmos, e também sem conhecer sua legislação, lutei até onde foi possível, contra os modelos de ensino existentes no Brasil, especificamente na Puccamp, onde cursei administração de empresas, de 1968 a 1971, em que fui ameaçado de enquadramento à LSN, por ter questionado os métodos e filosofias de ensino e as insistentes retaliações sofridas em função desses questionamentos (bolsa de valores, lei das S.A.’s, sistema contábil etc).
    Então, salvo aqueles que estiveram no vórtice desses fatos, pouca gente soube das luta real e das dificuldades enfrentadas nas tentativas de mudanças, embora todos sentissem na carne, e continuam sentindo, a perversidade da globalização e do neoliberalismo, cujos tentáculos alcançam a todos, e onde os donos do dinheiro dominam.
    Paro por aqui, mas estou disposto a desbravar a selva inóspita, se alguém quiser ir à frente.

  2. Olá Ivo,

    Que surpresa encontrá-lo no meu blog! Obrigado pela sua participação!

    Pois é, acho que o seu comentário mostra mesmo que a discussão sobre globalização/neoliberalismo dá mesmo muito pano pra manga. E tem uma dimensão histórica, como você apontou desde os tempos de Puccamp, que é incontornável. A discussão sobre bolsas de valores e tal está na origem disso. Diz respeito a essa fase de financeirização do capitalismo contemporâneo, quando a ênfase já não está na produção agrícola, industrial, mas pula para o setor de serviços, a especulação etc. O neoliberalismo é insustentável até para o próprio capitalismo, o que dirá para a humanidade! Rs

    Do mais, agradeço novamente sua presença. E, se pudesse te indicar algo, apenas diria que no meu blog há vários outros textos sobre neoliberalismo, basta digitar esse termo na ferramenta de busca acima à direita, caso queira participar de novos debates.

    Abraços!

    • Ivo Cocco disse:

      Adriano, não precisa agradecer, porque eu entendo como obrigação participar de um debate onde há fundamento, pois você está tratando de um assunto em que está envolvido, e mesmo que assim não fosse, está colocando o peso de sua participação, não é só sua opinião.
      E se fosse apenas essa a questão que nos preocupa, estaria de bom tamanho…
      Outros assuntos preocupantes e tão graves quanto, são a reforma política, a reforma da educação e a reforma judicial.
      Quanto a esta última, tenho questionado as decisões dos tribunais, utilizando exemplos reais, para não cair na retórica de discutir por discutir.
      O texto que segue foi publicado na edição de 08/03, do Jornal Terceira Visão de Valinhos, para sua apreciação e crítica.
      Um grande abraço, e sucesso.
      A JUSTIÇA DO TRABALHO TARDA E FALHA

      Ivo Cocco

      O DITO POPULAR DE QUE A JUSTIÇA TARDA, MAS NÃO FALTA, SÓ PODE ESTAR SE REFERINDO ÀS QUESTÕES DIVINAS.
      PORQUE, TRATANDO-SE DA JUSTIÇA TRABALHISTA, TENHO CERTEZA QUE NÃO, POIS ESTA, ALÉM DE DEMORAR MUITO, AINDA FALTA E É FALHA, DA MANEIRA MAIS CRUEL E DESUMANA, PELOS FATOS A SEGUIR.
      PRESTEI CONCURSO PÚBLICO E FUI ADMITIDO NA UNICAMP EM JUN/1989, TENDO EXERCIDO MINHAS FUNÇÕES NO HC DAQUELA INSTITUIÇÃO ATÉ DEZ/2000, QUANDO FUI DISPENSADO POR JUSTA CAUSA, SEM TER DADO MOTIVO, E PIOR, SEM O DEVIDO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO EXIGIDO NESSES CASOS, JÁ QUE A LEI ASSIM DEFINE, EM GARANTIA DA ESTABILIDADE E DO DIREITO DO TRABALHADOR.
      ALÉM DISSO, PARTICIPEI DE ELEIÇÃO LEGAL PARA O SINDICATO DOS TRABALHADORES, E DESEMPENHEI A FUNÇÃO DE DIRETOR FINANCEIRO, DENTRO DO PERÍODO DO MANDATO DA DIRETORIA, CONSTITUÍDA POR ESTATUTO DEVIDAMENTE REGISTRADO E DE CONHECIMENTO PÚBLICO, GARANTINDO A ESTABILIDADE, IGUALMENTE PREVISTA EM LEI, SÓ PODENDO SER DISPENSADO POR JUSTA CAUSA E APÓS JULGAMENTO ADMINISTRATIVO.
      NO ENTANTO, E APESAR DA ESTABILIDADE AMPARADA PELA LEI, COMO CONCURSADO E DIRETOR DO SINDICATO, A UNICAMP ME DEMITIU EM DEZ/2000, JUNTAMENTE COM MAIS DE 140 TRABALHADORES CELETISTAS APOSENTADOS, QUE ABRIRAM UM PROCESSO NA JUSTIÇA DO TRABALHO.
      O PROCESSO SE ARRASTOU ATÉ 2009, QUANDO A UNICAMP RECONHECEU O DIREITO DOS DEMITIDOS E PROPÔS UM ACORDO GERAL, ACEITO PELA MAIORIA E ENCERRANDO O PROCESSO PARA OS QUE ASSIM DECIDIRAM.
      AO NÃO ACEITAR O ACORDO, POR INJUSTO E NÃO COADUNADO A MINHA SITUAÇÃO DE CONCURSADO E DETENTOR DE CARGO SINDICAL, PREFERI CONTINUAR COM O PROCESSO ABERTO SOB O Nº 01983/2001 – QUE FICARA SUB-JÚDICE, POR DECISÃO DA PRÓPRIA JUSTIÇA – ATÉ O JULGAMENTO DO PROCESSO GERAL, ENVOLVENDO OS DEMAIS DISPENSADOS.
      NESTE PROCESSO EU PLEITEAVA O JULGAMENTO DO MÉRITO, COM A READMISSÃO E O PAGAMENTO DAS VERBAS DEVIDAS DURANTE O PERÍODO DE AFASTAMENTO.
      APÓS AS DIVERSAS AUDIÊNCIAS AOS RECURSOS E ALEGAÇÕES DAS PARTES, E SUBSISTINDO DISCORDÂNCIA EM RELAÇÃO ÀS DECISÕES NO ÂMBITO DO TRT15, EM CAMPINAS, O PROCESSO CHEGOU ATÉ A INSTÂNCIA DO TST, EM BRASÍLIA, CUJA DECISÃO NÃO CONSIDEROU O MÉRITO EM SI, MAS, SIM, A MESMICE DOCUMENTAL ALEGADA PELOS NÍVEIS ANTERIORES.
      O QUE OCORRE NA JUSTIÇA EM GERAL, E NÃO SÓ NA TRABALHISTA, É UMA ENORME DESFAÇATEZ, DA PARTE DOS JUÍZES, QUE AO PROFERIREM SUAS DECISÕES NÃO LÊEM SEQUER AQUILO QUE A DEFESA ALEGA – NO MEU CASO – O MÉRITO DA SITUAÇÃO DE ESTABILIDADE, FATO INDISCUTÍVEL E INSOFISMÁVEL, CLARAMENTE DEFINIDO NA LEI.
      O FATO É QUE A LEI GARANTE ESTABILIDADE AOS DIRETORES EFETIVOS EM SINDICATOS LEGALMENTE CONSTITUÍDOS, DESDE A CANDIDATURA ATÉ UM ANO APÓS O MANDATO, SÓ PODENDO SER DEMITIDOS DENTRO DAS CONDIÇÕES JÁ CITADAS DE JUSTA CAUSA, ATRAVÉS DE PROCESSO ADMINISTRATIVO E APÓS AMPLA DEFESA.
      NO PRESENTE CASO, ALÉM DE NÃO ATENTAREM AO QUE A LEI DETERMINA, OS JULGADORES FORAM BUSCAR OUTRAS INTERPRETAÇÕES DA MESMA LEI, REFERINDO QUE A QUANTIDADE DE DIRETORES ESTAVA ACIMA DOS SETE PREVISTOS, SEM CONSTATAR A EFETIVA FUNÇÃO COMO DIRETOR FINANCEIRO POR MIM EXERCIDA, FACILMENTE COMPROVADA POR ASSINATURAS EM CHEQUES E DOCUMENTOS EMITIDOS DURANTE O MANDATO.
      ACONTECE QUE NOS RESPECTIVOS NÍVEIS DOS TRIBUNAIS, OS JUÍZES SE BASEIAM NAS ARGUMENTAÇÕES DAS DECISÕES ANTERIORES, AO INVÉS DE FAZEREM SUA PRÓPRIA ANÁLISE, E, NO CASO EM QUESTÃO, ACABAM POR RATIFICAR A DECISÃO ANTERIOR, SEM JULGAR O MÉRITO, SUBSISTINDO O MEU INCONFORMISMO ALEGADO NO RECURSO.
      NOS TRIBUNAIS EXISTE UM NÚMERO DE ASSISTENTES JURÍDICOS, CUJA FUNÇÃO É FAZER UM RESUMO DOS PROCESSOS, PARA DESOBRIGAR OS JUÍZES DE INTEIRAR-SE DOS SEUS CONTEÚDO, A TÍTULO DE ECONOMIA DE TEMPO, DESPREOCUPANDO-SE EM PROCURAR O MÉRITO QUE FUNDAMENTA A QUESTÃO.
      COM ISSO, RESTA PREJUDICADA A INTENÇÃO DE PROVOCAR A EFETIVA MANIFESTAÇÃO DO NÍVEL SUPERIOR DA JUSTIÇA, MAS AO CONTRÁRIO, TEM-SE SOMENTE A REPETIÇÃO CORPORATIVISTA, NUMA SUCESSÃO DE SENTENÇAS IDÊNTICAS E REPETITIVAS.
      PARTINDO-SE DO FATO COMPROVADO DE RECONHECIMENTO DE CULPA DA PRÓPRIA INSTITUIÇÃO, AO PROPOR ACORDO EM TROCA DO CANCELAMENTO DO PROCESSO, FICA CLARO O PLEITO DESTE AUTOR, POIS SUA DEMISSÃO DEU-SE NO MESMO ATO DOS DEMAIS, APENAS DIFERENCIANDO-SE, JUSTAMENTE, POR NÃO TER ACEITO O ACORDO E POR SUBSISTIR SITUAÇÃO DE DUPLA ESTABILIDADE, A PRIMEIRA POR DETER CARGO DE DIRETOR DO SINDICATO E A SEGUNDA POR SER CONCURSADO.
      AO TRIBUNAL SUPERIOR COMPETE A ANÁLISE DA DECISÃO DO TRIBUNAL REGIONAL, PARA CORRIGIR EVENTUAIS DESENTENDIMENTOS E/OU SENTENÇAS INADEQUADAS.
      NO PRESENTE CASO, A DECISÃO EQUIVOCADA, ESTÁ BEM CARACTERIZADA NO FATO DO AUTOR EXERCER FUNÇÃO EFETIVA DE DIRETOR FINANCEIRO DO SINDICATO.
      O MÉRITO DA ESTABILIDADE, NÃO FOI CONSIDERADO PELO TRT15, QUE EM MOMENTO ALGUM QUESTIONOU O FATO DE EXISTIREM CENTENAS DE OUTROS FUNCIONÁRIOS NA MESMA SITUAÇÃO, NÃO ALCANÇADOS PELA MEDIDA PUNITIVA ADOTADA NA ÉPOCA, E QUE AINDA PERMANECEM NA ATIVA, SENDO, IPSO FACTO, MOTIVO PARA REFORMAR A SENTENÇA.
      AO APELAR AO TST, AGUARDAVA-SE, PRIMORDIALMENTE, ESTA DIFERENCIAÇÃO NO JULGAMENTO QUANTO AO MÉRITO, MAS SUA DECISÃO FOI A DE CORROBORAR O ENTENDIMENTO DO TRT15, A NOSSO VER, INCORRETA E POR ISSO, QUESTIONADA.
      DO TST ESPERAVA-SE, COMO INSTÂNCIA MÁXIMA, PROPUGNAR POR CORRETA DECISÃO, NÃO CONFORMADA À ARREMATAÇÃO DO NÍVEL JURÍDICO ABAIXO, POIS, DO CONTRÁRIO, NENHUMA RAZÃO HAVERIA EM SUBMETER A QUESTÃO AO SEU JUÍZO.
      DO ESQUÁLIDO, MAL ARRAZOADO E POBRE ARGUMENTO DO TST, TEM DE HAVER UM ÚLTIMO RECURSO AO STF, POIS NÃO SE PODE ADMITIR A NEGAÇÃO DO ACERTO DA LEI, COM FUNDAMENTO NO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ESTABILIDADE, ENQUANTO PROMOTORA DA DEFESA DO TRABALHADOR, DISPENSADO POR BEL PRAZER DE UMA INSTITUIÇÃO QUE UTILIZA DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS, MAS QUE EM DETERMINADO MOMENTO, RESOLVE PROPOR UM ACORDO VERGONHOSO, DESPROVIDO DE QUALQUER CONSIDERAÇÃO, SENÃO O PROPÓSITO DE ECONOMIZAR RECURSO EM DETRIMENTO DA MASSA DE SERVIDORES A QUE NÃO SOBRAVA OUTRA HIPÓTESE NÃO FOSSE A DE ACEITAR O VALOR, EM PRINCÍPIO DE 40%, DEPOIS AJUSTADO PARA 50%.
      À PRÓPRIA JUSTIÇA TRABALHISTA CABERIA INTERVIR PARA CORRIGIR TAL INDIGNIDADE, MAS OMITIU-SE, ACOLHENDO O ACORDO ESPÚRIO NAS BASES EM QUE FOI APRESENTADO.
      O DIREITO TRABALHISTA, JÁ DEBILITADO PELA FORÇA DAS PRESSÕES DE EMPREGADORES MAL INTENCIONADOS, SUCUMBE À SOMBRA DE UMA JUSTIÇA MALEÁVEL, SUBMISSA E INCONSEQUENTE ÀS CLASSES TRABALHADORAS, COM CLARO REFLEXO NAS DECISÕES DOS TRIBUNAIS.
      NO MAIS, RESTA-ME CONFIAR APENAS NA JUSTIÇA DIVINA, ENTÃO?

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