arquivo

Blog

Queridas leitoras e leitores,

Este texto é apenas para registrar que no último dia 9 de outubro, o Ensaios de Gênero completou 4 anos de existência.

Desde sua criação, este blog se propõe a ser um espaço aberto e progressista para discussões políticas e acadêmicas sobre gênero, feminismo e sexualidade.

Nesse período, foram 280 artigos publicados, distribuídos em dezenas de categorias que versam sobre teoria feminista, educação, questões políticas, desigualdades, artes, entre outras. Por essa variedade, o blog tem congregado leitoras/es com interesses e perspectivas distintas, mas com um claro denominador comum: um olhar sobre as relações de gênero visando conquistar mais igualdade e justiça.

Ao todo, caminhamos para um milhão de visualizações, um número que muito nos agrada, considerando que o blog é 100% independente, está hospedado em domínio gratuito e conta basicamente com o boca a boca para sua divulgação.

Agradecemos carinhosamente a todas e todos que frequentam esse espaço e que buscam, junto conosco, construir um horizonte mais emancipatório para a sociedade em que vivemos.

Que venham os próximos anos!

Um abraço!

Anúncios

No sábado passado, dia 22 de agosto de 2015, aconteceu o 1º Encontro de Mídia Independente com foco em Gênero e Sexualidade, organizado pelos coletivos Generx e Revista Geni, no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Mediado pela Lia Urbini, o evento reuniu dezenas de coletivos que respondem pelo trabalho de diversos blogs, sites e canais de vídeos. Embora com propósitos distintos, esses coletivos se uniram pelo interesse em debater gênero e sexualidade em um tempo em que essa pauta tem sido seriamente ameaçada.

Em primeiro plano, a mediadora Lia Urbini. Ao fundo, membros do B-Sides, Donas de Casa e Chá dos 5. (Foto: Juliana Maria)

Em primeiro plano, a mediadora do evento Lia Urbini. Ao fundo, membros do Bi-Sides, Donas da Casa e Chá dos 5. (Foto: Juliana Maria)

Por isso, o encontro parece ter vindo em boa hora. Vivemos, na atualidade, uma ascensão conservadora que tem procurado não apenas enfrentar os movimentos sociais, como ainda criminalizar seus instrumentos de denúncia e mobilização, como se vê em torno da retirada do termo “gênero” de centenas de planos municipais e estaduais de educação, além do próprio plano nacional (leia aqui) – uma derrota imensurável e que vem na contramão de reivindicações históricas para se avançar no combate ao sexismo, homofobia e transfobia.

Entre os participantes do evento, compareceram os coletivos Nós, Mulheres da Periferia, Revista Capitolina, Chá dos 5, Bi-Sides, Donas da Casa, Blogueiras Feministas e o próprio Ensaios de Gênero. Em três horas de conversa, cada grupo apresentou seu trabalho, seguido por uma breve discussão sobre os ganhos e dificuldades de se manter uma mídia independente e sobre o contexto político para a discussão de gênero e sexualidade no Brasil. Por fim, coletivos mantidos por outras pessoas do público também tiveram espaço para comentar suas produções e divulgar seus trabalhos.

Com a palavra, Jéssica Moreira do Nós, Mulheres da Periferia, acompanhada de sua colega Lívia e de Clara Browne, da Revista Capitolina. (Foto: Juliano Maria)

Com a palavra, Jéssica Moreira do Nós, Mulheres da Periferia, acompanhada de sua colega Lívia e de Clara Browne, da Revista Capitolina. (Foto: Juliano Maria)

É fato que gênero é crucial no Brasil contemporâneo. Se, por um lado, ele sempre foi, haja vista que não houve sequer um estado-nação no mundo que não tenha sido levantado a partir de um regime de gênero e cor/raça, por outro lado, no Brasil as disputas em torno dessa pauta estão acirradas de uma forma que não se via há algumas décadas. Hoje, as políticas de gênero são centrais para o Estado, ainda que pelo seu reverso, isto é, ainda que pela derrocada de gênero enquanto uma política pública.

Basta pensarmos que as principais lideranças conservadoras, no campo dos direitos humanos, projetaram-se nacionalmente como opositores da pauta de gênero e sexualidade, tão cara para os movimentos feminista e LGBT. Lembremo-nos de Jair Bolsonaro e sua oposição ao programa Brasil sem Homofobia, Silas Malafaia e seu lobby contra o PLC 122, Marco Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, além de outras crias da bancada fundamentalista, a exemplo de Eduardo Cunha, que de um político desimportante a esbravecer contra gays, lésbicas, bissexuais e transgênero, tornou-se uma figura central para impulsionar outros retrocessos, tais como a redução da maioridade penal e a contrarreforma política.

Adriano Senkevics, do Ensaios de Gênero, comentando a retirada de gênero das políticas públicas em educação. (Foto: Juliana Maria)

Adriano Senkevics, do Ensaios de Gênero, comentando a retirada de gênero das políticas públicas em educação. (Foto: Juliana Maria)

Alianças espúrias, somadas a falta de força ou coragem para barrar interesses escusos, acabaram por levar ao poder uma corja responsável pela legislatura mais retrógrada do Congresso Nacional da última metade de século. Em razão disso, e apesar de termos eleito a quantidade recorde de 51 mulheres para o cargo de deputadas federais (leia aqui), temos assistindo a um processo de masculinização da Câmara dos Deputados, em que uma concepção punitiva de política social tem dado à tônica. Não se fala mais em cidadania, senão uma cidadania subordinada ao mercado e condicionada ao autoritarismo latente da sociedade e do Estado brasileiro.

Tudo isso em um momento político em que nossas ferramentas, enquanto movimento social, para fazer frente ao avanço conservador estão mais difundidas e assimiladas por amplos setores da população. É aqui que entram as mídias independentes, gradativamente mais presentes nas redes sociais. Depois de Junho de 2013, engana-se quem diz que o mundo virtual não é capaz de enviar pessoas às ruas. Resta saber que ruas permanecerão ocupadas, por quem, e o quanto essas reivindicações serão capazes de adentrar na correlação de forças que se desenha cada vez mais problemática em âmbito nacional.

Público e convidadas/os do 1º Encontro de Mídia Independente com foco em gênero e sexualidade no Centro Cultural São Paulo, promovido pelo coletivo Generx e pela Revista Geni.

Público e convidadas/os do 1º Encontro de Mídia Independente com foco em gênero e sexualidade no Centro Cultural São Paulo, promovido pelo coletivo Generx e pela Revista Geni. (Foto: Juliana Maria)

Já que se diz que vivemos uma “sociedade da informação” – informação essa que não atinge democraticamente a população e que tampouco é produzida democraticamente por ela – então que façamos desses espaços por onde circulam conceitos, ideias e conhecimentos também locais de disputa, visando trazê-los em nosso favor. É por isso que não poderia ser mais bem-vinda uma iniciativa que congrega grupos que, cada um com sua linguagem e perspectivas, pretendem ocupar esses espaços com seus blogs, sites e canais. Para além de iluminar o trabalho de cada um, esse primeiro encontro pode ser visto como forma de aumentar a sinergia entre nós diante das imensas dificuldades que já existem e de outras tantas que virão pela frente.

Agora, é importante ter em mente que as mídias independentes também esbarram em limites os quais não podem ser desconsiderados. Embora independentes de um ou outro editor ou empresa, estamos ainda vinculados a sites que lucram com base em nossa colaboração. Não à toa, companhias como Facebook e Google (detentora do YouTube) costumam explicitar seus interesses econômicos quando encontram páginas ou canais potencialmente lucrativos. Direta ou indiretamente, alimentamos acesso a esses sites e, portanto, somos também um parafuso da engrenagem desse sistema.

Jussara Oliveira, do Blogueiras Feministas, ao lado de Lia, Alci e Marcos da Revista Geni.

Jussara Oliveira, do Blogueiras Feministas, ao lado de Lia, Alci e Marcos da Revista Geni. (Foto: Juliana Maria)

Em paralelo a isso, não podemos esquecer que as mídias independentes são independentes não tanto porque encontram espaços para se ocupar, mas sobretudo porque não o encontram nos meios hegemônicos de comunicação. São esses que mais intensamente pautam a dita “opinião pública” – que muitas vezes não é nem opinião, nem pública. Mais do que seguir fazendo um trabalho que corre por fora, que é sem dúvida necessário, é crucial termos em mente que a democratização dos meios de comunicação deve ser uma pauta unificada de todas e todos que se aventuram em produzir informação tendo como concorrentes novelas, reality shows e jornalismos de colarinho branco.

Enfim, tantas questões ainda pairam no ar que mais encontros como esse serão necessários para fortalecer nossas pautas e demandas. Por ora, encerro este texto por aqui, deixando abaixo o link para assistir a cobertura que os meninos do Chá dos 5 fizeram sobre o mesmo evento. Esperamos que haja mais oportunidades de diálogo e construção coletiva como essa. Se houver, o Ensaios de Gênero certamente estará presente.

O Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, promovida pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República, foi instituído em 2005 no âmbito do Programa Mulher e Ciência e tem se consolidado como um importante espaço para divulgar trabalhos que procuram avançar na discussão e promoção da igualdade de gênero no Brasil.

Seu objetivo inicial era tanto estimular a produção científica e a reflexão acerca das relações de gênero, do feminismo e das mulheres no País, como também estimular a participação das mulheres no campo das ciências e carreiras acadêmicas. Hoje, o Prêmio cresceu e se diversificou.

Após ter sofrido algumas modificações, o Prêmio conta atualmente com cinco categorias para inscrição e competição: (1) Estudante do Ensino Médio (em etapas estaduais e nacionais); (2) Escola Promotora da Igualdade de Gênero; (3) Estudante de Graduação; (4) Graduada(o), Especialista e Estudante de Mestrado; (5) Mestra(e) e Estudante de Doutorado. Nessa última edição, de 2015, o Prêmio recebeu 2.527 inscrições distribuídas diferentemente por essas categorias.

Para aquela que nos interessa em particular, “Graduada(o), Especialista e Estudante de Mestrado”, o edital recebeu 404 inscritos/as, dos quais apenas dois receberiam a premiação. É aí que queremos chegar:

É com bastante alegria que anuncio que fui um dos ganhadores nessa categoria!

Clique aqui para encontrar a lista de vencedores.

O Prêmio foi dado a partir de um artigo que redigi como um produto da minha pesquisa de mestrado. Trata-se de uma amostra dos resultados e reflexões empreendidos ao longo dos últimos anos. Mas, para além do mestrado, é importante notar que a premiação, mesmo que não intencionalmente, reconhece o trabalho que vem sendo desenvolvido no blog Ensaios de Gênero, haja vista que esse espaço sempre se colocou, para mim, como um importante interlocutor entre interessados/as em gênero, assim como uma oportunidade de amadurecimento e troca.

Em breve, assim que a cerimônia de premiação acontecer, divulgarei no blog mais informações sobre o artigo premiado. Por ora, agradeço imensamente à minha orientadora Marília Carvalho pelo apoio decisivo durante toda a pós-graduação, aos colegas e amigos da área de gênero e afins, aos familiares pelo carinho, e também às leitoras e leitores deste blog por tornarem essa página o que ela é: um espaço para ensaiar política, feminismo e coisas do gênero.

Muito obrigado e até mais!

Prêmio

Hoje, dia 9 de outubro de 2014, o Ensaios de Gênero completa três anos de vida. Até o momento, emplacamos 264 posts organizados em 23 categorias e subcategorias. Superamos, também, as 500 mil visualizações. Esses números demonstram que o blog encontrou algum espaço nas discussões de gênero e feminismo nesse emaranhado que é a internet.

É verdade que o ritmo de publicações em nossa página caiu. Dois de nossos colaboradores – Lucas Passos e Matheus França – deixaram de escrever no blog. Além disso, o autor que vos fala também reduziu suas contribuições, por motivos externos. A despeito disso, temos visto que a página continua sendo acessada e alguns textos, em especial, continuam há anos sendo o nosso carro-chefe, obtendo significativos acessos diários (tais como O conceito de gênero por Judith Butler: a questão da performatividade).

Finalizamos esta nota agradecendo a todos/as aqueles/as que nos acessam, que deixam seus comentários, suas curtidas e/ou que compartilham nossa página ou algum de nossos textos em particular. Agradecemos também às nossas participações especiais, que enriquecem o blog com um olhar diferente.

Esperamos continuar ensaiando gênero e contando com a participação de vocês!

Neste dia 09 de outubro de 2013, o blog Ensaios de Gênero completa dois anos de vida! Nesses dois anos, nós autores contamos com três participações especiais (e queremos expandir!) para publicar mais de 230 textos, divididos entre 23 categorias.

Passamos por tantos tópicos… Fomos de discussões clássicas dos estudos feministas, como o conceito de patriarcado e o embate igualdade-diferença, até as complexas quinadas do pós-estruturalismo e teoria queer, passando pelos estudos de masculinidades, sexualidade, interseccionalidade, transgeneridade, e variados aspectos da militância feminista, negra e LGBT. Falamos de questões raciais, de desenhos animados, de desigualdades na educação, de tigres asiáticos, de corpos abjetos, de farmacopornografia, das políticas públicas etc.

Falamos de Saffioti, hooks, Scott, Butler, Connell, Fausto-Sterling, Preciado, Rubin, Beauvoir, Bourdieu, Castells, Zizek, Deleuze, Ferraro, Foucault, Rosemberg, Harvey, Carvalho, Sarmento, Qvortrup, Junqueira, Vianna, Wittig, Safatle, Patto, Mészáros, Martucelli, Dubet, Louro, Lévi-Strauss, Laqueur, Hountondji, Bulbeck, Haraway, Nicholson, Freire, Guimarães, Corsaro, Ali… entre muitas outras e outros para discutir não só gênero e feminismos, como também outros pertinentes assuntos políticos e educacionais.

Esse blog é, sim, mais acadêmico. Afinal, é o intuito de nossa página trazer debates gestados no âmbito da produção de conhecimento científico. Não fazemos isso, contudo, para menosprezar a militância. Somos assumidamente feministas justamente por sermos tributários do feminismo e dos ricos aportes teóricos e metodológicos, além de provocações políticas, que tal movimento nos concedeu. Lemos autoras mulheres, somos orientados por mulheres, somos amigos de mulheres, aprendemos com mulheres. Mas somos homens. E estamos sempre do lado do feminismo, seja para discutir gênero na universidade, seja para sair às ruas.

Por fim, falo em nome dos dois colegas com quem tenho o prazer de assinar esse blog, Lucas Passos e Matheus França, gostaríamos de expressar nossa satisfação em saber que o Ensaios de Gênero tem tido alguma circulação. Não há sensação melhor que vem um texto nosso sendo compartilhado e recomendado. Da mesma forma, o debate na seção de comentários proporciona fortuitos momentos de troca.

Esperamos continuar ensaiando gênero, contando cada vez mais com um público tão interessante (e interessado!) como o nosso e com participações especiais para enriquecer nossa página com visões, perspectivas e vivências distintas.

E que venha o próximo ano!

Carxs leitorxs,

Demorou, mas criamos. Finalmente o blog Ensaios de Gênero tem a sua página oficial no Facebook, que será utilizada para se divulgar os textos novos (e também re-divulgar os antigos quando em momentos pertinentes), promover discussões por meio dos comentários, permitir contato entre leitoras/es e os autores, compartilhar notícias, eventos e assuntos de interesse do blog etc.

Curta a nossa página no seguinte endereço: https://www.facebook.com/ensaiosdegenero.

E sinta-se à vontade para compartilhar!

Um grande abraço!

Caros/as leitores/as,

Esse blog tem, até então, se utilizado de basicamente apenas uma ferramenta para se promover: o próprio blog. Todos os textos postados são também divulgados no Twitter e, fechado só para os meus amigos, no Facebook.

Resolvi fazer uma mudança. A exemplo de muitxs colegas, resolvi abrir parte dos conteúdos do meu Facebook. Tenho recebido muitos convites de amizades de leitorxs. O que é muito legal. Mas eu não costuma aceitá-los. Não é nada pessoal. Mas o meu Facebook é muito… privado. Tem muitas fotos, informações e postagens que eu prefiro reservar apenas aos amigos/familiares e pessoas mais próximas, por motivos de privacidade mesmo.

No entanto, como o meu Twitter é praticamente inútil – e eu próprio não uso o Twitter para outro motivo que não divulgar os textos do Ensaios de Gênero – resolvi tornar público parte do conteúdo que publico no Facebook, sobretudo o que escrevo com tom mais político, argumentativo e relacionado ao blog. Assim, abro espaço para que os meus seguidores (que até então apenas encontravam uma página em branco) possam checar e compartilhar minhas postagens públicas.

Faço o convite: se você curte o blog, acesse o meu perfil do Facebook e comece a me seguir. Desse modo, vai receber as atualizações do blog por lá e bem como outras postagens minhas e notícias que julgo interessante comentar ou apenas passar adiante.

Espero encontrá-lxs por lá!

Abraços,

Adriano