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Religião

Um espectro ronda o Brasil. É o espectro do evangelismo. Parafraseando o velho Marx, é mais ou menos esse o cenário em que vivemos atualmente, quando as religiões pentecostais conquistaram 22,2% da população brasileira, um dado que contrasta com apenas os 5,2% em 1970 (Censo Demográfico, IBGE, 2010). Foi a partir dessa década que foram fundadas as principais igrejas evangélicas do país, a começar pela Igreja Universal do Reino de Deus (1977) que, apesar de não ser a pioneira, inaugurou um novo perfil de religião (o neopentecostalismo).

Sabe-se também que o florescimento do evangelismo foi acompanhado de um declínio da religião até então predominante: o catolicismo. Se em 1970, 91,8% dos brasileiros se declaravam católicos, hoje eles compõem 64,6%, uma queda vertiginosa. Em recente pesquisa, Marilene de Paula (2013) destaca que fatores como o baixo crescimento de paróquias, a falta de padres, a migração do rural para o urbano (que desenraizou a população daquela tradicional igrejinha do interior) e a precariedade da vida urbana nos setores populares são essenciais para se entender o fenômeno evangélico.

As religiões evangélicas, sobretudo as pentecostais, têm ganhado maior espaço na atualidade e já angariaram 22,2%  da população brasileira.

As religiões evangélicas, sobretudo as pentecostais, têm ganhado maior espaço na atualidade e já angariaram 22,2% da população brasileira.

Para além da conquista de adeptos, a onda pentecostal tem avançado sobre outros terrenos. Os meios de comunicação em massa, por exemplo, são grandes aliados. Atualmente 10% do mercado editorial brasileiro é de literatura religiosa, seja católica ou evangélica, e a chamada “música gospel” abocanha uma fatia 20% do mercado fonográfico. Já no Congresso Nacional, temos 71 deputados e três senadores explicitamente filiados a tendências evangélicas, espalhados por 16 partidos, com concentração nos de centro-direita (PAULA, 2013).

No conjunto da sociedade, a onda pentecostal dialoga diretamente com o fenômeno que ficou conhecido como “nova classe média”, isto é, um segmento que hoje chega a compor 54% da população brasileira cuja renda mensal se encontra na faixa entre R$ 1.200 e R$ 5.174 (BARTELT, 2013), um setor que, a despeito do qualificativo “classe média”, tem suas condições de vida ancoradas naquilo que tradicionalmente designa uma camada popular (moradia inadequada, escolaridade baixa, crédito limitado, serviços públicos ineficientes), só que com uma renda um pouco mais elevada, o que os permite maior acesso aos bens de consumo.

O crescimento do evangelismo está relacionado às periferias e ao fenômeno de expansão da chamada  "nova classe média".

O crescimento do evangelismo está relacionado às periferias e ao fenômeno de expansão da chamada “nova classe média”.

É no vácuo desse conjunto emergente da população que as religiões evangélicas mergulham. A maioria dos adeptos do neopentecostalismo se encontra na periferia das cidades, 63,7% não ganha mais que um salário mínimo, 8,6% é analfabeta e 42,3% possui o ensino fundamental incompleto. Já nos setores médios, o evangelismo é menos presente porque enfrenta maior concorrência com o nosso legado católico e com as religiões espíritas, sobretudo kardecistas.

O que faz, então, com que o “povão” seja tão afeito ao evangelismo? Em vez de adotar uma postura arrogante, que imputa sobre as camadas populares o adjetivo de “massa ignorante”, é válido compreender o seu contexto. Como qualquer um que se incomoda com Feliciano, Malafaia e sua tchurma, o impulso seria ofender seus adeptos. No entanto, há indícios de que esses trastes não representam o conjunto da população evangélica. Há quem questione, a título de curiosidade, se Edir Macedo é realmente evangélico…

Marco Feliciano: esse e outros trastes, felizmente, não representam o que é, de fato, o fenômeno evangélico no Brasil.

Marco Feliciano: esse e outros trastes, felizmente, não representam o que é, de fato, o fenômeno evangélico no Brasil.

À parte dessa reflexão, pode-se afirmar que o crescimento do evangelismo está relacionado a novas formas de pregação, as quais incluem a evangelização ativa, que procura dialogar com problemas materiais que os fiéis encontram na sua vida aqui e agora. Ao contrário do catolicismo ou do tradicional pentecostalismo – muito mais centrados na noção ascetista de que se poupa na vida presente para se obter mais da vida futura -, o neopentecostalismo tem como ponto de partida a situação que se vive hoje, com seus obstáculos ordinários (doenças, contas a pagar e problemas de relacionamento) e a proposta de soluções imediatas. Insere-se, inclusive, dentro da lógica imediatista da sociedade globalizada e de consumo.

“Os neopentecostais utilizarão em sua prédica os ensinamentos da Teologia da Prosperidade”, enfatiza Marilene de Paula (2013, p. 129), “na qual ter bens materiais, ser saudável, não ter grandes problemas financeiros ou de outra ordem mostra sua fé e como Deus está atuando em sua vida”. Em última análise, tal fenômeno tem levado ao enriquecimento das igrejas, que cobram “coisas materiais” (dízimo e ofertas) em troca de “coisas materiais”. Trata-se de uma relação comercial da própria fé.

Em vez de se basear no princípio do ascetismo, que cobra da vida presente para se devolver no futuro, o neopentecostalismo age ativamente no discurso do aqui e do agora.

Em vez de se basear no princípio do ascetismo, que cobra da vida presente para se devolver no futuro, o neopentecostalismo age ativamente no discurso do aqui e do agora.

E a abordagem moralista dos pastores, em suas posturas contrárias ao casamento igualitário, aborto, sexo antes e fora do casamento, consumo de drogas etc, cabe a uma função socializadora que fornece uma referência moral em meio a um contexto no qual gravidez não planejada, tráfico de drogas e violência são parte do cotidiano. Na igreja, ao menos, tem-se um ambiente onde se cria laços fraternais e de interesse, se aprende certas habilidades (tocar um instrumento, cantar no coral), tem-se aulas de religião. Essas instituições acabam por atuar, como destaca Jessé Souza (2013), na criação de uma ética (ser trabalhador, honesto, disciplinado).

Para um grupo que recentemente tem ascendido – em vista do desenvolvimento socioeconômico, do aumento real do salário mínimo, dos programas de transferência de renda (Bolsa Família) – esse discurso pode fazer muito sentido, sobretudo quando um dos poucos indicadores que avançam é a renda média, enquanto a oferta de serviços públicos (saúde, educação, transporte) continua precária, forçando essa população a ter que “se virar” na periferia da cidade, com filhos para criar e vivendo em condições ainda indesejadas.

Consome-se bens porque é isso que a renda permite e, quando dá, a possibilidade de adquirir um carro, pagar uma escola particular ou um plano de saúde, ao passo que a religião de caráter neopentecostal, cuja fé é igualmente uma mercadoria, entra na mesma onda e traz ganhos àquela população, apesar de todo o enriquecimento dos pastores e o espaço que eles têm ganhado na mídia e na política para impor uma agenda conservadora. É um fenômeno complicado de se lidar, mas que está apontando para a precariedade da vida urbana no Brasil e para o mito da “nova classe média”.

No último sábado, as ruas do centro da cidade São Paulo foram tomadas por mais de um milhão de fiéis, na Marcha para Jesus organizada por igrejas evangélicas. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a marcha foi caracterizada pelo clima de comemoração. De fato, evangélicos têm muitos motivos para comemorar nesse país. A nós, cabe questionar a custa do que essa alegria tem se levantado.

Marcha para Jesus 2012, em São Paulo: mais de um milhão de fiéis (evangélicos) pelas ruas do centro.

Há poucas semanas, foram divulgados dados do Censo 2010 informando uma mudança na demografia religiosa do Brasil. Nos últimos dez anos, o número de evangélicos cresceu de 15% para 22% da população brasileira, enquanto os católicos caíram de 74% para 65%. A hegemonia do catolicismo no país tem sido ameaçada, em maior grau, pelo crescimento do evangelismo (o qual se pulveriza em dezenas de correntes, além do número expressivo de evangélicos que não se prendem a alguma em especial), pela maior diversidade religiosa e, em menor grau, pelo ateísmo (em São Paulo, já somos 70 mil).

Nesse contexto, caminharam pela capital paulista milhões de evangélicos contentes com o crescimento da sua crença. Após a marcha, apresentações de música gospel e discursos de algumas figuras públicas, dentre o ministro da Pesca Marcelo Crivella (PRB/RJ), figura emblemática no time que menciono abaixo.

Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus, é uma figura de peso dentro do ranço do evangelismo conservador.

Os jornais destacaram que o clima desta última marcha se contrastou com o do evento no ano passado. Em data próxima à Parada do Orgulho LGBT e logo após a aprovação, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), da união estável homossexual, a Marcha para Jesus 2011 aconteceu em Brasília e foi marcada por intensos discursos de ódio proferidos pelos conservadores Magno Malta (PR/ES) e Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, o qual afirmou que o Supremo “rasgou” a Constituição Federal ao aprovar a tal união estável. No mesmo dia, Malafaia rasgou, sob aplausos, o projeto de lei de criminalização da homofobia (PLC/122).

São exatamente esses e outros posicionamentos que incomodam, tanto a militantes LGBT quanto a quaisquer outras cidadãs e cidadãos engajados em causas sociais, a respeito de notícias como o crescimento do evangelismo. Politicamente falando, a Igreja Católica e a Evangélica são ainda as mais fortes no Brasil. Ambas, de modo geral (aqui, excetuo os grupos religiosos progressistas), se opõem a direitos reprodutivos da mulher, à liberdade afetivo-sexual, e se aliam frequentemente à clássica direita brasileira, dentre os ruralistas – lembremo-nos do acordo entre parlamentares ruralistas e evangélicos para votar conjuntamente a favor da reforma do Código Florestal Brasileiro e contra o PLC/122.

Fiéis na Marcha para Jesus 2012: a crença na religião evangélica vem a custo do que, em termos de direitos e liberdades?

Em vista disso, assusta-nos quando o apóstolo da igreja Renascer em Cristo Estevam Hernandes afirma que “de norte a sul, este país se renderá aos pés de Jesus”. Em primeiro lugar, porque não estamos falando de Jesus, e sim de uma religião. Em segundo, porque estar aos pés desse grupo pode com facilidade significar ter que engolir sua agenda reacionária.

Tal fato chega a ser um contrassenso, porque o movimento LGBT, constante alvo desse ranço, não sustenta uma agenda política ateia ou, no limite, anti-evangélica. Para nós, a defesa da liberdade religiosa está dentro da equação da democracia, da mesma forma que a liberdade sexual. A representação política do evangelismo, por sua vez, constroi o seu programa com base na desvalorização de grupos sociais que desafiam tanto o sexismo quanto a heteronormatividade.

Se o crescimento das religiões evangélicas significar empoderamento de setores conservadores, é evidente que será tomado por precaução por nós. O que não significa que estejamos interessados no fim do evangelismo, porque entendemos que o exercício da religião é livre, ao contrário da apologia ao ódio, à violência ou à discriminação. A prática dos representantes políticos do evangelismo, no entanto, sugere que eles não pensam da mesma forma. O embate promete para os próximos anos. E nós não vamos arredar o pé.

Em 1979, uma ampla mobilização popular, que aliava setores liberais, de esquerda e também religiosos, enfraquece a monarquia autocrática do xá Reza Pahlevi, levando-o à sua deposição. Após poucos dias de suspiro, o líder religioso, aiatolá Khomeini, volta do seu exílio da França e proclama uma república fundamentalista, na qual ele se torna o líder.

O acontecimento descrito acima se refere à Revolução Iraniana, que substituiu um governo monárquico autoritário por um fundamentalista, igualmente autoritário, que perpetua até os dias de hoje. Embora esse seja um episódio da história do Irã, não parece que as revoluções do Oriente Médio e dos países com predominância muçulmana estejam muito longe disso.

Líbia

Revolução na Líbia: o país nas mãos do CNT seguirá com constituição baseada na lei islâmica.

Três dias após a morte do ditador Muammar Gaddafi, fruto de uma revolta civil que durou sete meses, a “libertação” do país foi declarada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT). Após 42 anos com Gaddafi no poder, a Líbia fará uma transição para um governo democrático em cinco etapas. Entre elas, o estabelecimento de um governo provisório, a realização de eleições presidenciais em até oito meses e a criação de uma nova Constituição.

No entanto, já está claro que a nova Constituição seguirá a lei islâmica, legitimando, portanto, um Estado fundamentalista. Ainda que haja um regime de feições democráticas, o que inclui a alternância de poder por meio de eleições diretas, a seguinte dúvida permanece: o quanto os direitos sociais serão alcançados? Lembrando que, no Irã, há eleições presidenciais, mas garantia nenhuma de cidadania plena para mulheres e homossexuais, por exemplo. Partir de um governo autoritário para uma teocracia não soa, em nenhuma hipótese, um avanço.

Tunísia

Eleições na Tunísia: tudo aponta para o partido islâmico Ennahda estar a frente.

Nove meses após a queda do ex-presidente Zinedine el Abidine Ben Ali, os tunisianos foram às urnas, na primeira eleição livre da Primavera Árabe, neste último domingo. Os eleitores escolheram 217 representantes para uma assembleia encarregada de redigir uma nova constituição e nomear um governo interino, que deve governar o país até as eleições presidenciais.

O partido islâmico Ennahda claramente ocupa uma posição de liderança, elegendo a maior parcela de representadas se comparadas aos demais partidos (em segundo e terceiro lugar, devem vir os partidos de esquerda e de esquerda nacionalista). Tentando amenizar as preocupações secularistas, Ennahda vem declarando seu comprometimento com a democracia e os direitos das mulheres. Não que as democracias liberais do Ocidente tenham garantido tantos avanços, mas é de deixar qualquer um apreensivo a redação de uma constituição com muitas mãos fundamentalistas. Lembrando que a população muçulmana é maioria absoluta na Tunísia: 98%.

Egito

Revolução no Egito: uma revolta popular a caminho de um Estado fundamentalista.

Após a revolução que tirou Hosni Mubarak do poder, em fevereiro deste ano, ainda ficam algumas tensões a respeito do futuro do país. A recente notícia de que egípcio foi condenado a três anos de prisão por insultar islã no Facebook aumenta as dúvidas sobre a transição democrática e mostra que ainda há espaço para medidas alinhadas a um regime autoritário de cunho fundamentalista. Veremos…

Conclusão

A intenção, com esse texto, não é contrapor os regimes ocidentais aos orientais, com o intuito de mostrar “o quão nós somos modernos”. Se adentrarmos na história dos governos islâmicos, veremos que o véu imposto às mulheres, por exemplo, não se trata de uma medida arcaica ou tradicional. Pelo contrário, é bastante recente, sendo uma resposta ao “risco” de ocidentalização do Oriente, isto é, como uma forma de se diferenciar dos regimes ocidentais (SCOTT, 2007).

É curioso notar, entretanto, que revoluções apoiadas por setores populares – se é que todas as mobilizações descritas acima foram realmente de base popular, se é que o CNT tem realmente respaldo popular – nem sempre levam a regimes progressistas do ponto de vista social. Ao invés de nós ficarmos alardeando para esse fato, talvez seja mais interessante entender por que, diante das urnas, o povo elege um partido islâmico a um secular, por que uma república fundamentalista a uma democracia liberal.

Em 15 de março de 2004, o governo francês sancionou uma lei que bane o uso de “símbolos conspícuos” de religião em escolas públicas. O artigo 1º assim define que, em tais escolas públicas:

O uso de símbolos ou vestimentas que manifestam de forma conspícua as afiliações religiosas dos(as) estudantes é proibida. Procedimentos disciplinares para implementação dessa regra serão precedidos por uma conversa com o(a) estudante.

O véu islâmico integral está proibido de ser usado nas ruas da França.

A historiadora norte-americana Joan Scott, na sua mais recente obra, The Politics of the Veil (2007, não publicado no Brasil), afirma que, embora aplicada a garotos judeus que usam o kipá ou a qualquer um com uma grande cruz cristã pendurada no pescoço, a lei é claramente voltada para as meninas que vestem o véu islâmico (como o hijab), integrantes da população muçulmana.

Esse argumento é reforçado pela proibição, em 14 de setembro de 2010, do que se convencionou chamar de véu islâmico integral, ou seja, a burca (cobre todo o corpo e rosto, deixando uma pequena área de tecido rendado para os olhos) e do niqab (cobre todo o corpo e rosto, exceto os olhos).

Kenza Drider, em frente à catedral de Notre Dame em Paris, falando à imprensa a respeito da proibição do uso do véu islâmico integral.

Leis similares a essas já foram implementadas em diversos países, como Turquia, Holanda, Bulgaria, Dinamarca e certas regiões da Alemanha e da Espanha. O fio condutor comum a todas essas restrições apóia-se na “defesa do Estado laico” que, por ter como pilar a separação entre Estado e igreja, limitaria a manifestação de crenças religiosas em locais ou instituições públicas.

A proibição de tais manifestações revela-se, no fundo, como um equívoco na maneira de se entender o público e o privado. Se o Estado, tal como entendido na doutrina liberal secular, é laico, não possui essa mesma obrigação o povo. Ao se buscar a secularização do Estado, não se pode recair no desrespeito à liberdade religiosa, que se mostra ainda mais sintomática ao ser dirigida a minorias que, como mostra Scott, sempre foram discriminadas pelo governo francês.

A defesa de um Estado laico – bandeira esta que partilho – implica, no caso brasileiro, na retirada de símbolos religiosos de instituições públicas, no fim à isenção de IPTU por igrejas e afins, na não promoção do ensino religioso em escolas públicas, no fim ao uso de argumentos de cunho religioso na constituição de políticas públicas e decisões judiciais e, também, na extinção de feriados religiosos com a subsequente substituição por datas laicas. Em suma, são pautas que dizem respeito a instituições públicas.

Muçulmanas protestando contra a proibição do véu islâmico integral.

Na França, vê-se o cerceamento à liberdade religiosa de grupos e de indivíduos. Ao contrário do que, erroneamente, Luiz Felipe Pondé da Folha de S. Paulo afirma, muçulmanos ou muçulmanas que usam suas vestimentas ou praticam orações em locais públicos não procuram submeter a sociedade à sua crença. Se seguirmos esse raciocínio ao extremo, teríamos que retirar as cruzes do topo de todas as igrejas ou proibir os fiéis de rezarem nas praças.

Uma religião que só pode ser praticada às escuras é a prova de um Estado intolerante com a diversidade de crença. Pois uma mulher vestindo a burca nas ruas não está movendo absolutamente nenhuma ação no sentido de promover um Estado fundamentalista. Logo, o Estado laico não está sendo ameaçado pela manifestação pública de crenças. Tais proibições, em vez de promoverem simplesmente um Estado laico, também promovem um Estado intolerante e antidemocrático. E a liberdade religiosa, por definição, deve ser entendida e defendida dentro do terreno das liberdades democráticas.