O blog Ensaios de Gênero foi fundado em 09 de outubro de 2011 (09/10/11) por Adriano Senkevics e logo incorporou Lucas Passos à equipe. Alguns meses depois, Matheus França se somou à dupla. Assim, somos três garotos abertamente feministas compartilhando uma página virtual.

O intuito da nossa página é discutir principalmente política, educação e feminismo, lançando mão dos estudos de gênero para análises sobre diferentes aspectos da sociedade. Nosso objetivo é debater atualidades mescladas a textos acadêmicos, possibilitando que conhecimentos antes restritos ao ambiente acadêmico possam ser lidos e acessados por qualquer pessoa. Essa é a razão para disponibilizarmos as referências bibliográficas das leituras sobre as quais nos apoiamos.

Orientamos esse blog, em termos de princípios e valores, sempre nos pautando pela justiça e igualdade social, fim das discriminações contra todo e qualquer grupo, a defesa dos direitos humanos e a luta por uma educação democrática e de qualidade para todas/os. Acreditamos que a democratização dos meios de comunicação inclui, entre outras, o fortalecimento da blogosfera como um forma livre, independente, plural e não mercantil de transmissão da informação e promoção de discussões. Procuraremos, dentro dos nossos limites, difundir ideias e pensamentos – sempre abertos ao debate e à crítica – que possam contribuir para avanços políticos, sociais e econômicos da população.

As fotos do cabeçalho do blog são, em sua grande maioria, de Bia Hobi Moreira, amiga e parceira de Adriano no seu antigo blog. Uma pequena parcela dessas fotos são do próprio Adriano.

Conheça um pouco mais sobre os autores do blog:

Adriano Senkevics

Adriano Senkevics

Adriano Senkevics

Paulistano de 25 anos, sempre tive interesse em leitura e escrita, por ter sido bastante influenciado dentro de casa (meu pai era crica quanto à minha educação e minha mãe, professora). Nasci em uma família de classe média no bairro do Butantã. Desde pequeno, possivelmente por questões relativas às masculinidades, tenho interesse no feminismo e nas questões concernentes às mulheres. Fui me viciando em política até chegar ao patamar atual… irreversível.

Aos 17 anos, ingressei no curso de Ciências Biológicas na USP, o qual concluí em 2011. Ao longo desse tempo, vivenciei experiências que muito marcaram definitivamente minha trajetória: a leitura da obra O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, meu primeiro contato formal com o feminismo; a participação no antigo blog Letras Despidas, ao lado da Bia, que tanto foi importante para a minha formação; o envolvimento com o Centro Acadêmico da Biologia e a representação discente, que me fizeram entender melhor o que é política (e agir com política…); e o ingresso no Grupo de Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual (EdGES) da Faculdade de Educação da USP (FEUSP), grupo no qual concluí no ano de 2015 meu mestrado em Educação, orientado pela Prof.ª Dr.ª Marília Carvalho, e particularmente voltado para o estudo das relações de gênero na educação escolar.

Em paralelo ao mestrado, realizei um estágio de pesquisa com duração de seis meses na Faculty of Education and Social Work, The University of Sydney, na Austrália, sob a orientação da Profa. Raewyn Connell.

Além disso, estou pesquisador no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em Brasília (DF), com interesse particular em políticas públicas, avaliação da Educação Básica e disseminação de dados e informações educacionais. Aos poucos, minha carreira foi se direcionando para o campo educacional.

Nas leituras, minha principal influência nas relações de gênero, como se pode deduzir, tem sido a australiana Raewyn Connell, em vista de seus estudos pioneiros sobre homens e masculinidades. Na mesma linha, aprecio o trabalho de Barrie Thorne, na sua etnografia das relações de gênero no ambiente escolar. Devo mencionar também as provocações de bell hooks, que me descortinaram novos horizontes na perspectiva feminista. Possuo, também, grande admiração pelo trabalho de Joan Scott e Linda Nicholson, duas autoras que destricharam um olhar muito rico sobre o conceito de gênero e suas implicações. Em menor grau, tenho acompanhado algumas discussões no âmbito da teoria queer, e aí não poderia deixar de citar a Judith Butler.

No âmbito da pesquisa nacional, acompanho as produções da minha orientadora, Marília Carvalho, e Cláudia Vianna, não podendo deixar de mencionar Fúlvia Rosemberg e Guacira Louro. Todas essas autoras estão particularmente interessadas nas interfaces educacionais de gênero: exatamente o aspecto de gênero que mais me atrai o sobre o qual tenho dedicado mais atenção.

Para entrar em contato: Twitter (@asenkevics) e e-mail (adrianosenkevics @ gmail.com).

Lucas Passos

Lucas Passos.

Sou graduado em Licenciatura em Matemática pela Universidade Federal de Goiás (Regional Catalão) e, atualmente, mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências e Matemática da mesma universidade (Goiânia, Planetário). Sou pesquisador do Grupo Dialogus – Estudos Interdisciplinares em Gênero, Cultura e Trabalho (UFG/RC), do Grupo de Escrita e Leitura (UFG/RC), do Matema – Grupo de Pesquisa e Formação em Educação Matemática (IME/UFG) e do Literando – Compreensão Leitora (IF Goiano/Câmpus Urutaí). Fui bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), sob orientação da professora Luciana Borges, com o plano de trabalho “(Re)pensando relações de gênero: os primeiros escritos de Clarice Lispector” e com a sua recondução intitulada “Leituras desmobilizadoras em perspectivas de gênero: os primeiros escritos de Clarice Lispector”. Participei também do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), sendo orientado pela professora Crhistiane da Fonseca Souza, com o plano de trabalho “(Etno)matemática: do intocável ao poder” , que foi reconduzido como o plano “Etno, discurso e poder: descentramentos e rupturas da ordem da Matemática”. Minha de pesquisa de mestrado, que leva o nome provisório de “No rastro de etnomatemáticas com gestos pós-estruturalistas: trilhando caminhos desde um contexto pibidiano”, busca, a partir do e no contexto de um subprojeto pibidiano de Matemática, problematizar a formação inicial de professores de Matemática através da possibilidade de questionamentos etnomatemáticos e pós-estruturalistas, a fim de vislumbrar como essa problematização pode contribuir para esse contexto e como a mesma pode resultar em agências. Meus orientadores são o professor José Pedro Machado Ribeiro e a professora Vânia Lúcia Machado.

No campo dos estudos de gênero, me interesso pela teoria queer e minhas influências são Judith Butler e Beatriz Preciado (as considero extraordinárias e donas de uma escritura corrosiva, um phármakon). Num sentido queer, aprecio também autoras como Teresa de Lauretis e Eve Kosofsky Sedgwick. Não posso deixar de mencionar também a importância de Simone de Beauvoir e seu O Segundo Sexo, o livro chefe do feminismo, Pierre Bourdieu e sua A dominação masculina. Da tradição, cito também Julia Kristeva, Monique Wittig e Guy Hocquenghem. Ainda, me interessa muito pelas (des)conexões desses autores como o pensamento de Michel FoucaultJacques Derrida, Gilles Deleuze e Félix Guattari. Para mim, os textos desses autores seguem sendo o verdadeiro lugar de uma profunda interpelação, acinte e fruição, objetos de (re)leitura contínua e repetida.

Se bem que meus objetos de desejo parecem ser os mais variados, costumo dizer que sempre estou propondo uma leitura desconstutivista, pós-colonialista, discursiva e feminista em torno desses objetos. Junto às atividades dos grupos de estudo que participo, a escrita para, a leitura do e a receptividade no Ensaios de Gênero, constitui-se proveitoso para a construção, re-construção e desconstrução do meu pensamento. Sem sombra de dúvidas, sou grato a várias pessoas que não posso aqui nomear.

E-mail para contato: lucassantospassos@gmail.com

Matheus França

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Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás, com habilitação em Políticas Públicas. Fui bolsista de iniciação científica por dois anos: o primeiro, pelo Programa Institucional de Voluntários em Iniciação Científica (PIVIC), com a pesquisa “O Escurinho do Cinema em Goiânia – um estudo antropológico sobre a trajetória dos cinemões goianienses”; o segundo, pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), com a pesquisa “Nas (entre)linhas: interpretando antropologicamente as políticas culturais LGBT”. Atuei como bolsista de extensão, pelo Programa de Bolsas de Extensão e Cultura (PROBEC), do projeto “Ser-Tâo dos Sete Mares: atividades de extensão e cultura em gênero e sexualidade”. Realizei Missão de Estudos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), financiado pelo PROCAD/Casadinho UFG/UFSC/UFRGS. Faço parte do Ser-Tão (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade) e participo da construção do Coletivo Fluidez de diversidade sexual, também na UFG. Sou membro do corpo editorial da Revista Senso Comum. Escoteiro desde 2003, fui também Comunicador Regional da Rede Nacional de Jovens Líderes, vinculada à União dos Escoteiros do Brasil. Em 2014, iniciarei meu Mestrado em Antropologia Social na Universidade de Brasília, pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UnB.

Interesso-me especialmente por Antropologia e debates pós-coloniais e decoloniais, assim como perspectivas desconstutivistas. Minhas leituras principais têm sido a obra de autores como Arjun Appadurai, Jacques Derrida, Edward Said e Homi Bhabha. No campo de estudos em gênero e sexualidade, me afilio a correntes teóricas que tratam da descentração do sujeito e da fluidez de identidades, tais como apontadas por Michel Foucault, Judith Butler Guacira Lopes Louro, para mencionar as mais conhecidas.

Currículo: Lattes (Acesse aqui) e Academia.Edu (Acesse aqui)

Contato: Facebook (/theos.franca), Twitter (@theos__) e e-mail (matheusgfranca@ gmail.com).

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Participações especiais

Aos poucos, nosso blog vai incluindo a participação especial de convidadas/os e outras pessoas, a fim de trazer novas contribuições e opiniões. Abaixo, a lista de nossas participações especiais:

Viviane Angélica Silva – Mineira nascida na cidade de Nova Lima. É graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é mestranda do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP).
Contato: vivianeangelica @ usp.br
No blog, publicou Den’da Lei (21/08/12).

Hailey Kaas – Militante transfeminista e autora do blog Transfeminismo.
No blog, publicou O que são pessoas cis e cissexismo? (17/09/12)

Marília Pinto de Carvalho – Mineira, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), onde coordena o Grupo de Pesquisa de Gênero, Educação e Cultura Sexual (EdGES).
No blog, publicou O machismo cotidiano: o caso dos trotes na USP. (21/03/13)

Vinícius Siqueira – Pós-graduado em sociopsicologia, morador do ABC Paulista e editor do site Colunas Tortas.
No blog, publicou O Sexo como tática de atomização na contemporaneidade. (27/07/2014)

Fábio Moreira Vargas – Mora na cidade São Paulo, é estudante de Filosofia na Universidade de São Paulo com especial interesse pelo diálogo filosofia e psicanálise.
No blog, publicou O Gênero criado e o Desejo imposto: a outra face. (01/10/2014)

Fernando Dantas Vieira – Pessoa trans não binária, é natural de São Paulo e vive em Fortaleza. Ativista LGBT, estudou Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo (USP), educador social, dedica-se aos estudos da teoria queer e masculinidades desviantes. É também colunista do Portal Me Representa, Em Neon e Brasil Post, escrevendo sobre política e gênero.
No blog, publicou Meu Devir Trans: o totalitarismo da norma e os primeiros passos internos. (26/10/2014)

Stanley Souza Marques – Mestrando com bolsa CAPES em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiário docente no Curso de Bacharelado em Ciências do Estado da UFMG de abril de 2014 a dezembro de 2015. Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em 2013. Foi bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica PIBIC/CNPq/UFU de agosto de 2010 a julho de 2012.
No blog, publicou Paternidades, gênero e a democracia constitucional. (13/03/2016)

35 comentários
  1. Adriano e Lucas,

    Muito legal essa temática.

    Eu estou começando a ver algo sobre gênero agora no segundo ano do curso de Ciências sociais. Por enquanto, eu só vi um pouco sobre Simone de beauvoir, Bordieu e algumas coisas por contra própria. Contudo, já estou aprendendo um pouco com vocês.

    Mais uma coisa: vou adicionar o link do (ensaiosdegenero) lá no meu antigo blog.

    Abraços e parabéns pela iniciativa.

    • Oi Inã, tudo bem? Quanto tempo, né?

      Pois então, essa temática é realmente muito interessante. Estou muito apaixonado por ela. E que bom saber que você está começando a estudar gênero. Só um cuidado: você está na Sociais, terreno onde o Bourdieu é bastante reconhecido. Mas as contribuições do Bourdieu, para gênero, são poucas. Quando ele escreveu sobre isso, na obra “A Dominação Masculina”, o fez com muita presunção e arrogância, sem dialogar nada com o que já havia sido produzido nos debates feministas e praticamente dizendo que as feministas estavam erradas e que ele estava dando o caminho certo, com base em ideias que ele sempre teve, que sempre estiveram na cabeça dele. Enfim, foi uma postura péssima.

      Já a Simone de Beauvoir. Ela é ótima, uma grande pioneira, precursora de muita coisa. Porém, suas ideias apresentam um escopo de análise um tanto limitado para as questões que são colocadas hoje em dia.

      Então, ler Bourdieu e Beauvoir pode ser muito bacana, mas fique atento porque estes são dois nomes muito conhecidos, mas não necessariamente os melhores atualmente.

      Espero que possa acompanhar o blog,

      Um grande abraço,

      Adriano

  2. Acabei de encontrar esse espaço na internet e estou maravilhada com o fato de três garotos estarem tão engajados na temática feminista. Parabéns!!!

  3. serge disse:

    nesse debate sore identidade e diferença, li no ano passado um antropólogo sueco, se não me engano, Fredrick Barth que cunhou o conceito sinal diacrítico. recomendo vivamente a leitura…bom, sem falar que, embora não sendo da área da antropologia nem do feminismo, Axel Honneth debateu muito com os autores feministas.
    ótimo blog.
    CONSIDERO QUE UM PROBLEMA SÉRIO DA DEMOCRATIZAÇÃO DA REDE É A QUESTÃO DA VISIBILIDADE. quem tem mais poder para ser visível na rede, ser lido, etc? os meios de comunicação tradicionais (jornais, tv, rádios) são altamente autoritários e praticam a não-comunicação, sendo que seu modo de operar é de “sens unique”. por isso considero a atividade dos blogueiros muito democrático…

    abraços.

  4. Boa tarde, estou escrevendo meu tcc em políticas de gênero, já selecionei alguns autores que poderão conversar em meu trabalho, mas gostaria de uma sugestão de vocês, quero chamar para meu debate Bourdie, vocês podem me indicar algum texto, artigo para que isto de fato ocorra. Não tenho tenho tempo hábil para ler o livro a dominação masculina, que já percebi só pelos comentários que valeria muito apena essa oposição,por isso peço a sugestão de resenhas.
    Desde já parabenizo, pela organização do blog, até mais!

    • Oi Valdirene,

      Sobre o que especificamente você prentende estudar em “política de gênero”? O foco é a equidade de gênero, a violência de gênero, as políticas educacionais etc?

      Veja, o Bourdieu não tem tanta bibliografia em gênero, com exceção do livro “A Dominação Masculina” e de um artigo homônimo que precedeu a obra. Se você não tem tempo para ler o livro todo, recomendo que leia o artigo. Está publicado em um número da Educação & Realidade, de 1995. Dê uma olhada na Bibliografia do blog para obter a referência completa dessa obra.

      Bom trabalho!

      Abraços!

  5. valdirene disse:

    Boa noite Adriano,
    Obrigada por ter me respondido, o foco é equidade de gênero, confesso que estou apanhando com a bibliografia, pois minha orientadora não é especialista no assunto e me deixou livre para escolher as referências bibliográficas, ou seja me perdi.
    Enfim agora me foquei na equidade de gênero e políticas que as envolvem, vamos ver se consigo!
    Desde já fico com agradeço, o suporte até mais!

    • Oi Valdirene,

      Olhe, há muitos aspectos para se discutir equidade de gênero: na representação política, no atendimento à saúde, na educação, no cuidado dos filhos… enfim, é bom delimitar para que fenômeno você está olhando, porque a cada um cabe uma bibliografia específica. Se for educação, te indico os textos sobre políticas da diversidade da Sabrina Moehlecke, assim como gênero nas políticas públicas por Cláudia Vianna e Sandra Unbehaum. Recomendo o texto da Fúlvia Rosemberg e Nina Madsen, de 2011, sobre gênero, mulheres e educação formal, que faz uma análise da igualdade de gênero da creche e pré-escola até o doutorado, passando por todos os níveis de ensino (este texto está referenciado na bilbliografia do blog).

      Bom trabalho!

      Adriano

  6. Boa noite,
    Gostaria de saber se vocês poderiam me informar, como mencionei na comunicação anterior eu estou literalmente apanhando para escrever o meu trabalho de conclusão de curso, vocês me deram referências maravilhosas que algumas até já terminei de ter e fichar.
    Vou tentar dizer em que pé esta meu tcc, absolutamente nada, ou melhor na segunda pagina, já me deu desespero, já senti ódio por ter escolhido o tema enfim, agora não tenho tempo de mudar. Gostaria de uma opinião franca o que eu faço! Cada vez que falo com minha orientadora, mais desorientada fico, não sei o que fazer, estive pensando partir para o um projeto de pesquisa, sei lá. Confesso pensei mesmo era em desistir. Parece que eu coloquei um gigante na minha frente…
    Vou dizer no que esta na minha cabeça e aí se vocês puderem me ajudar fico disponível, para críticas, sugestões!
    A principio pensei na questão da mulher (feminismo, questão de gênero, desigualdade), já li inúmeras coisas, e depois defini que dentro do que pude observar existe um contexto muito forte em dizer, que temos uma igualdade de gêneros, mas isto não é uma verdade.
    A minha grande e eterna pergunta! O problema do meu trabalho: Embora exista políticas públicas que promovam a igualdade de gênero na educação, por que isto não ocorre efetivamente?
    Meninos não consigo me orientar estou perdidíssima, não sei se li pouco, se estou induzida demais pela questão!
    Enfim aguardo!
    Boa noite AMIGOS!!!

    • Ok, Valdirene, vamos lá…

      O seu foco é a igualdade de gênero na Educação, isso já é um começo. É importante, antes de mais nada, delimitar o fenômeno para o qual estamos olhando. Assim, você precisa coletar informações que te digam em que pé existe ou não igualdade de gênero em educação. Na Educação, os indicadores utilizados, para comparar a igualdade dos dois sexos, são: taxa de alfabetização, acesso de meninos e meninas (frequência escolar), longevidade escolar (a média de anos de estudo), a defasagem (ou distorção série-idade), a evasão escolar, a proporção das crianças entre as séries etc. Você precisa mapear isso no seu TCC, mostrar dados, entre tabelas e gráficos, mostrando quanto está essa desigualdade.

      E aí eu vou te dizer uma coisa importante: na Educação, as meninas já superaram os meninos no Brasil. Se você for procurar dados que mostram uma suposta desvantagem das mulheres na Educação, não vai encontrar. Não só no Brasil, mas em outros países da Am. Latina, na Am. do Norte e na Europa, pelo menos, as meninas já superaram os meninos. O desempenho delas é melhor, elas concluem mais, predominam no ensino superior, possuem menor defasagem, evadem menos, reprovam menos. Esses dados podem ser facilmente encontrados no texto da Fúlvia Rosemberg e Nina Madsen (2011) que eu comentei.

      Veja nos textos abaixo o que eu escrevi sobre isso:

      https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2012/08/18/media-dos-anos-de-estudo-genero-e-raca-no-brasil/

      https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2012/08/31/alfabetizacao-genero-e-raca-no-brasil-as-desigualdades-no-ler-e-escrever/

      https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2012/09/19/frequencia-escolar-genero-e-raca-no-brasil-quem-esta-dentro-e-quem-esta-fora-da-escola/

      Em breve, vou publicar mais um sobre defasagem.

      Como referência, é importante você procurar o trabalho da Beltrão e Alves, 2009. A referência completa pode ser encontrada na bibliografia do blog.

      Para guiar o seu TCC, sugiro o seguinte:

      – iniciar discutindo um histórico da questão (no trabalho da Beltrão e Alves, encontrará). É importante comentar que as mulheres foram historicamente excluídas do sistema educacional. Procure algumas ideias neste texto meu também: https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2011/12/05/a-feminizacao-do-magisterio/

      – em seguida, apresentar dados (extrair-los do trabalho da Rosemberg e Madsen, e do Alceu Ferraro que eu citei no primeiro texto linkado acima), mostrando que houve a tal da “reversão do hiato de gênero”, isto é, mesmo com a exclusão histórica, as mulheres conseguiram se inserir no sistema educacional e superaram até os homens.

      Não sei qual política públicas contribuíram para isso. Não foram tantas, na real. Existem políticas de diversidade, mas políticas de igualdade de gênero, mesmo, não sei. A Rosemberg e Madsen falam que quando o ensino médio foi unificado (e deixou de existir os diferentes tipos, como o “normal” etc), isso favoreceu as mulheres. Mas essa política é universal e não voltada para as mulheres especificamente.

      Vejo que o seu maior problema é não ter clareza sobre o seu problema de pesquisa. Você precisa saber exatamente o que está estudando: onde procura essa desigualdade de gênero? como ela deve aparecer nos dados? o que você esperaria ser a situação ideal? Como disse, a Educação hoje é mais um problema dos meninos do que das meninas… e isso em boa parte do mundo. Portanto, sugiro que você mude o foco do seu trabalho. Em vez de discutir o que fazer para obter a igualdade de gênero, sugiro que faça um estudo de como a situação educacional se reverteu: como as meninas estavam menos presentes na escola há um século e hoje dominam os indicadores. E como essa reversão coloca novos problemas e exige um novo paradigma para o problema da desigualdade de gênero.

      Espero ter ajudado!

      Abraços!

      • Boa tarde Adriano,

        Primeiro agradeço novamente pelas informações e sugestões que você.
        Decidi retornar o contato porque acredito que realmente irei direcionar o enfoque do meu trabalho, graças a sua ajuda.
        Mas enfim pelo que li até agora, compreendi que a questão se torna preocupante no que se refere a educação dos meninos, e caiu por terra a minha hipótese anterior.
        Agora me surgiu uma infinidade de questões que não sei se cabe a investigação no tcc, por se tratar de um recorte menor.
        Então vou de perguntar e fique a vontade em me responder, nesta questão não cabe um projeto de pesquisa, que pode depois virar uma dissertação para o mestrado posteriormente?
        Sabe retomei várias vezes a minha questão, e me vi perdida em um universo de informações que tenho de codificar em conhecimento, e isso me doí, vou fazer um desabafo sou oriunda de escola pública e fiquei por + ou – 11 anos sem estudar, aos “trancos e barrancos”, estou levando a faculdade, me considero persistente pois, não quero desistir agora. Tenho um sonho de me tornar uma professora e poder despertar nos meus alunos esta inquietação ,porém estou estagnada, não consigo escrever as questões estão na minha cabeça, mas quando vou conversar com a minha orientadora eu me travo parece que eu não sei dizer o que eu quero e se torna muito frustante!
        Ao passo que quando eu envie a primeira questão, mesmo que desconexa, parecia que você me compreendia e isto foi muito reconfortante.
        Pensei em fazer da seguinte forma organizar este estudo com base nesses avanços sobre a melhoria e avanços das mulheres com relação a educação, e propor uma investigação sobre a educação na cidade de São Paulo promove a esta igualdade de gênero, não sei se cabe nesse momento propor esta discussão, pois vi que segundos os indicadores dão conta que sim, num nível macro, mais em um nível micro?
        Obrigada!

        • Oi Valdirene,

          Desculpe a demora. Não vi que não tinha respondido ainda.

          Creio que você está se esforçando para superar as eventuais dificuldades que você acredita estar entrando em contato. Infelizmente, não sei se posso te ajudar tanto para além de uma ou outra sugestão.

          A sugestão de projeto de pesquisa, agora que você descreveu, me parece mais clara, só que tenho uma ressalva a fazer: você não vai encontrar como um determinado sistema educacional promoveu a “igualdade de gênero”. Em primeiro lugar, porque, como disse, não foram políticas para as mulheres que reverteram as desigualdades educacionais. Em segundo lugar, porque não existe propriamente uma igualdade de gênero. Tem-se que os meninos enfrentam maiores obstáculos. Existem muitos “problemas de gênero”: a escolarização mais complicada entre meninos, o sexismo que é denunciado na escola, questões de gênero que se articulam com raça, classe, região de origem etc.

          Concordo com você que isso cabe, sim, em um projeto de mestrado. Há muito a ser estudado em desempenho escolar e gênero. Nós, que pesquisamos isso, iríamos agradecer se mais pessoas estivessem interessadas! Rs!

          Não entendi muito bem o que você quis dizer com o nível macro e micro. Como assim?

          Sinto por ter demorado a respondê-la.

          Abraços!

  7. Christiane disse:

    Olá meninos, gosto muitíssimo dos textos de vocês e para mim, especialmente, tem sido muito interessante “dialogar” com as leituras e críticas de vocês. Por isso, queria me apresentar e trocar umas ideias de verdade com vocês. Minha qualificação é daqui a dois meses e uma das professoras que vai estar na minha banca sugeriu-me a leitura de Camille Paglia (Personas Sexuais), garantindo que este livro iria “mudar a minha vida”. Já iniciei minha leitura e … preciso perguntar: vocês já leram Paglia? O que acharam?
    Abraços,
    Christiane

    • Oi Christiane, tudo bem?

      Obrigado por ter gostado do nosso blog. Estamos abertos, sim, a trocar ideias. Pode deixar comentários nos textos ou contatarmos pelos e-mails acima fornecidos.

      Não conheço essa autora. Fale-me mais sobre ela. Está gostando do livro? Sua vida está mudando, rs?
      É, cuidado, livros realmente mudam a vida. (Ainda bem!)
      Abraços!

  8. GLORIA MARIA LEITE disse:

    Meninos, comecei a ler suas matérias e vou ficar “viciada”, tenho a certeza disto! Estou começando um mestrado cujo tema é Estudos sobre Mulheres, e vou tentar trocar informações com vocês também. Um grande abraço e sucesso!

    • Oi Glória,

      Com certeza! Estamos abertos a troca de informações, seja pelos comentários nos posts, seja pelos contatos fornecidos.
      Fale-me sobre o seu projeto de mestrado.

      Abraços!

  9. Quando procurava uma teoria que atribuísse normalidade ao homossexualismo, tinha medo e procurava na verdade uma justificativa, uma desculpa, me justificar, que me desculpassem Não há nada o que desculpar ou justificar é só o que me faz sentir bem, melhor e não prejudica ninguém. Está acima de gênero.

  10. Lívia Marinho Lessa Barboza disse:

    Rapazes, estou maravilhada com vocês. Primeiro pela pouca idade ( não que pouca idade possa maravilhar alguém por si só), mas pela maturidade acadêmica que vcs demonstram com a impertinência literária que tanto me cativa. Gostaria de participar um pouco dessas discussões. Na minha graduação, em 2009, no curso de letras, minha monografia versou sobre A MULHER ESCRITA: O EMUDECIMENTO FEMININO NOS ROMANCES MASCULINOS. O DISCURSO CABOTINO DA MULHER NA LITERATURA BRASILEIRA. Minha tese é que literatura masculina serviu durante séculos e talvez em grande parte ainda sirva, para emudecer a mulher em seus anseios e “doutriná-la” na maneira em que se quer que ela ande. Gostaria muito de que vcs me acompanhassem um pouco nessa discussão, se for de interesse de vcs e me respondessem o que vocês acham. De antemão, preciso elogiá-los pela iniciativa e parabenizá-los pelo desprendimento de destinar horas de seus tempos ao compartilhamento de ideias. Bjs a todos, Lívia

    • Oi Lívia,

      Agradeço e fico muito lisonjeado pelo seu carinhoso comentário!

      Veja, não entendo praticamente nada de gênero na literatura. Quem talvez possa te ajudar melhor é o Lucas Passos, que chegou a estudar essa área. No entanto, eu ficaria muito grato de aprender com você e de, eventualmente, dar alguma contribuição. Envie-me alguma coisa produzida no e-mail adrianosenkevics @ gmail.com (coloquei espaços entre o arroba para evitar spans).

      Abraços!

  11. Nossa “garotos” Enhorabuena! Estudo pós-graduação com pesquisa em gênero, meio ambiente, C&T, entre outras coisas (..rs..) e estou sempre ávida por conhecer a perspectiva de “meninos feministas” – independentemente da opção em relação a sexualidade (quero dizer com isso que parece existir um mito de que o feminismo era coisa de mulher ou “no máximo” de gays, tanto em termos de militância, quanto preocupação acadêmicas) – hoje isso parece estar mudando aos poucos, mas espaço como o de vocês ainda são raros! Por isso e por pela qualidade do blog espero que sigam!

    abraços, Márcia Tait.

    • Olá Márcia,

      Agradeço pelo comentário e pelo elogio! Muito legal!

      Olha, é fato que a entrada dos homens no campo feminista se dá, no geral, por duas vias: (1) estudos de homossexualidade, LGBT, que é a forma como o Matheus e o Lucas entraram; (2) estudos de masculinidades, preocupado com a inserção dos homens nos debates feministas e os problemas relativos ao sexo e gênero masculino, que é a forma como eu entrei. Dificilmente você verá um homem (ou no nosso caso, “meninos” :-P…) discutindo coisas tradicionalmente feministas como a questão da “objetificação” do corpo da mulher, pornografia, e outros assuntos que são polêmicos até mesmo entre as mulheres. É bastante desconfortável, ao menos para mim, puxar uma discussão nesse sentido ou tentar extrair alguma resolução sobre isso. Os meus dois textos no quão enfio a mão nessa cama de gato (a saber, esse: https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2012/12/21/mulheres-no-poder-faz-alguma-diferenca/ e esse: https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2012/01/16/alem-do-feminismo-liberal-e-tempo-de-superar-o-discurso-da-igualdade/), foram os mais polêmicos, como se pode ver nos comentários. Em um deles a minha posição enquanto homem foi explicitando questionada (mas por uma menina que, na minha opinião e na de outras feministas, não defende feminismo, e sim o femismo). Mas, é sempre um terreno perigoso. Por isso, acabamos preferindo discutir questões relativas aos homens, à comunidade LGBT (da qual todos nós pertencemos de alguma forma, meio que reforçando o tal do mito que você colocou…), ou questão de gênero mais ampla, gerais, que discutem homem e mulher relacionalmente e não propriamente “A Mulher”.

      De toda forma, agradeço pela sua visita. Espero vê-la mais vezes!

      Abraços!

  12. Franciele Scopetc disse:

    Por que jamais devo balizar minha análise a partir de uma delimitação conceitual “gênero”..reverberada a partir de uma só fonte?
    Qual o problema “analítico” de uma análise assim? é menos análise? é maniqueísta? não entendi. o JAMAIS…

    Att. Fran

    • Oi Franciele,

      Imagino que você esteja se referindo ao texto “O conceito de gênero por seis autoras feministas”, quando usei o “jamais” para dizer que não se deve trabalhar com uma definição de gênero. Bem, o “jamais” foi para enfatizar que não existe uma definição consensual do que seria gênero, não é à toa que há tantas abordagens diferentes para um mesmo conceito, conforme tentei demonstrar no texto. Mas, evidentemente, quando você está falando sobre gênero, você parte de uma certa conceituação, de um contexto, então é natural que delimite-o para os seus propósitos.

      Abraços!

  13. Marcos Eduardo disse:

    Oi, me chamo Marcos Eduardo e faço parte do Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências, Saúde e Sexualidade (GP-ENCEX) da Universidade Estadual do Maranhão. Em nosso grupo também discutimos gênero e sexualidade através da perspectiva pós-estruturalista, tendo como referências Michel Foucault, Jacques Derrida, Guacira Lopes louro e Jane Felipe, entre outros. Achei muito interessante o blog e vi que vocês também de um grupo de pesquisa acerca de gênero, por isso, gostaria de trocar conhecimento com vocês e seu grupo de pesquisa. O meu e-mail ficará disponível, por favor entre em contato.

    • Oi Marcos,

      Acesse a página do nosso blog no Facebook: https://www.facebook.com/ensaiosdegenero. Nela, você pode curtir e receber as atualizações, assim como manter contato conosco por meio das mensagens particulares. Seu e-mail não ficou disponível para mim. Mande-o por mensagem na nossa página, por favor.

      Aguardamos contato,

      Abraços!

  14. Grazihely Paulon disse:

    Parabéns pelo trabalho de vocês. Fiquei encantada! Sou professora e tenho alguns poucos alunos que iniciam seus debates sobre feminismos e gênero, ainda de forma muito tímida. Vocês são um estímulo delicioso para os que querem quebrar paradigmas. Vou acompanhá-los de perto. Abraços!!

  15. Cado disse:

    Gostaria de declarar todo o meu apoio as suas causas e te dizer que acho repugnante todo tipo de violência contra as mulheres.Sei o quanto a cultura machista acaba por acarretar nesse tipo de coisa,mas é realmente algo que tem que ser mudado.Eu sou o homem mais feminista de todos,sei que por incrível que pareça,as mulheres ainda são injustiçadas a ponto até de receberem salários menores do que os dos homens.O homem deve tratar as mulheres com carinho,respeito e garantir a ela todos os direitos que os homens também tem.Por essas e outras,que venho por meio desse e-mail ,colocar meu site como um canal de comunicação a disposição de vocês para o que quiserem e dizer que vocês podem contar comigo sempre.

    Cado
    http://WWW.cadoofficial.com

    P.S.-Aguardem para breve novo endereço de e-mail meu.

  16. laura souza pinto disse:

    Lucas e Adriano, recebo, leio e aprecio os seus textos; quero fazer apenas uma sugestão: tornar a linguagem mais clara, menos barroca, para permitir a partilha com maior número de pessoas. Existe “beijo” lésbioco hetero ou homo? Ou é sempre “beijo”?
    Parabéns; abraço,
    Laura

  17. Adorei a iniciativa de vocês. São um exemplo magnífico de solidariedade. Sou poeta e posso contribuir com poemas para o blog. Por favor, visitem nosso blog. Vamos divulgar matérias escritas por vocês. Podemos

  18. Parabéns pela iniciativa. os textos são claros, acessíveis e tem sido uma importante ferramenta nas minhas atividades acadêmicas. Também foi seduzido pelos estudos de gênero ainda na graduação e hoje no mestrado desenvolvo uma pesquisa sobre masculinidades, aliás,o artigo de vcs sobre esse tema é muito bom.

  19. Eikon disse:

    Interessante, mas saibam que o propósito do gênero enquanto instituição social é simplesmente: a dominação masculina sobre a feminina. O gênero deve ser destruído para garantir a liberdade, pois, como já diria Patti Smith: “ninguém gosta de fazer gênero”

  20. Veronica disse:

    Fiquei encantada com a proposta de blog de vocês! Sou fascinada com a temática de gênero e tentando me especializar ainda mais! Suas análises e contribuições são muito interessantes!! Obrigado!!

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